“E eu não sou uma mulher?”: a escuta de mulheres negras em situação de rua sobre a psicologia e o cuidado nos consultórios na rua (CNAR) de Salvador - BA
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Resumo
A invisibilidade da população em situação de rua, tão presente na sua vivência diária, apresenta nuances quando recortes de raça e gênero são feitos dentro da heterogeneidade que a compõe. Os preconceitos que circundam a vivência de mulheres negras, já marcadas por tantos estigmas, se acentuam no contexto da situação de rua. E as dores físicas e emocionais dessa existência denunciam a importância e necessidade de acesso aos cuidados da atenção básica, bem como a profissionais de psicologia que enxerguem e levem em conta as particularidades dessas mulheres. O presente trabalho objetiva compreender a percepção das mulheres negras em situação de rua acerca do cuidado ofertado por psicólogas(os) nos Consultórios na Rua da Cidade de Salvador - BA. A abordagem do estudo em questão foi quantitativa descritiva, utilizando-se de questionários para a coleta de dados e posterior utilização da plataforma de software Statistical Package for the Social Science (SPSS) para analisar os dados. Observou-se que o cuidado da psicologia nos Consultórios na Rua possui muitas potencialidades segundo a percepção das mulheres negras em situação de rua. Dessa forma, pensar nas percepções das usuárias acerca desse cuidado é abrir possibilidade de escuta de sujeitos marcados pela invisibilidade, além de estabelecer e fomentar discussões sobre um tema ainda pouco explorado pela literatura, bem como problematizar a atuação da Psicologia nesses espaços de exclusão e sofrimento psíquico.