(Cri)ação do professor-sujeito da educação contemporânea: arte que diz o indizível
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Resumo
A presente pesquisa, nomeada “(CRI)AÇÃO DO PROFESSOR-SUJEITO DA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA: arte que diz o indizível”, nasce das inquietações e inspirações que enlaçam os campos da arte, da psicanálise e da educação como uma tríade possível de ser enodada para o advir do professor-sujeito, a partir de questões epistêmico-teórico-metodológicas referenciadas no processo formativo desse professor e na sua condição de sujeito que opera por sua marca subjetiva. Tem como objetivo geral o desejo de investigar a arte, pela via da subjetivação, na construção formativa do professor-sujeito que faz ato com a arte, laço com a (cri)ação, na constituição do processo de ensinar e aprender. Para tanto, a investigação se sustenta na abordagem qualitativa em educação, apoiada nos teóricos, enlaçada no tripé lócus-sujeito-dispositivo, na configuração do campo empírico. Assim posto, o lócus da pesquisa é uma escola pública de ensino fundamental, de médio porte, no município de Camaçari/BA; os sujeitos são cinco professores da Educação Básica (da referida escola), selecionados pelo princípio do desejo, com diversidade de perfis. Os dispositivos de colheita selecionados são: entrevista semiestruturada, ciranda de palavras e ateliê artístico. O processo de análise se assenta na Análise do Discurso (AD), de vertente pecheutiana, defendida por Pêcheux (2015) e Orlandi (2012). Para essa aposta, foram convidados teóricos que têm aderência a essa formação discursiva: Freud (1979/2020), Lacan (1962/1992), Ornellas (2005/2018/2019), Lajonquière (1999/2006), Mae Barbosa (2006/2010/2016), entre outros. A análise dos dispositivos revelou que dimensões fundantes da docência contemporânea são atravessadas pela arte. As falas mostraram os seguintes achados: a formação docente emerge como lugar de queixa, em que os professores denunciam a ausência de políticas de formação continuada; as narrativas dos professores de arte revelam trajetórias marcadas pela paixão, pela resistência e pelo desejo de transformação social por meio da arte; os discursos dos cinco professores constroem uma representação da docência em arte como prática de resistência; os professores-sujeitos estabelecem relações entre o pensar e o fazer, entre a opressão e a libertação, a conservação e a transformação social da realidade; a arte não se limita ao produto final, mas se constrói ao longo de um trajeto que envolve tentativas, erros e transformações; o ato artístico simbolizado torna visível, dá forma ao que é irrepresentável. Conclui-se, portanto, que a formação dos professores de arte, quando articulada ao tripé arte-psicanálise-educação, torna-se uma experiência contínua e inacabada, que se dá em poiésis, em que a (cri)ação do professor-sujeito se enlaça metaforicamente numa estrutura borromeana lacaniana, de modo que o real, o simbólico e o imaginário inscrevam a rubrica da educação contemporânea.