Terra, propriedade e negritude: uma leitura social de Torto Arado à luz de Antonio Candido
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Resumo
Este trabalho analisa as intersecções entre terra, propriedade e negritude no romance Torto Arado (2019), de Itamar Vieira Júnior, a partir da perspectiva crítica apresentada por Antonio Candido em Literatura e Sociedade (2006). A pesquisa parte da premissa de que a literatura é um instrumento de interpretação da realidade social, capaz de revelar contradições históricas e estruturas de opressão. A obra estudada é ambientada na Chapada Diamantina, no sertão baiano, e retrata a vida de trabalhadores rurais descendentes de pessoas escravizadas, explorando os vínculos espirituais e históricos com a terra. A análise evidencia como o romance configura a terra como símbolo de identidade, memória e resistência, dialogando com o debate sobre a função social da propriedade. O estudo estrutura-se em três capítulos: o primeiro apresenta o panorama do sistema literário brasileiro com base na teoria de Antonio Candido o segundo trata da representação da terra na literatura nacional; e o terceiro realiza a leitura crítica de Torto Arado. Conclui-se que a obra literária ao articular forma estética e conteúdo social, atua como meio de denúncia das desigualdades fundiárias e de valorização da herança cultural afro-brasileira.