Sementes crioulas: panorama no território do sisal frente ao estresse ambiental decorrente da monocultura
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Resumo
As sementes crioulas constituem elementos centrais para a manutenção da agrobiodiversidade e da soberania alimentar no semiárido baiano, representando não apenas recursos produtivos, mas também símbolos de resistência cultural e política das comunidades rurais. Sua conservação e manejo refletem práticas agroecológicas sustentáveis que fortalecem a autonomia camponesa e preservam saberes ancestrais frente às pressões do modelo agroindustrial. Nesse contexto, compreender o papel das sementes crioulas implica reconhecer sua importância na construção de sistemas agrícolas resilientes e na valorização das identidades locais. Este trabalho investiga a relação entre a monocultura do sisal (Agave sisalana Pierre) e a conservação das sementes crioulas no Território do Sisal, na Bahia, destacando como diferentes modelos agrícolas moldam o futuro socioambiental da região. A pesquisa, realizada entre março e junho de 2025 nas comunidades de Nova Palmares e Cansanção, utilizou entrevistas, questionários, pesquisa documental e observações de campo para analisar os impactos ambientais, sociais e culturais da expansão do sisal, bem como as estratégias de resistência camponesa. Os resultados revelam um contraste marcante: Nova Palmares, historicamente vinculada à luta pela reforma agrária, evidencia os efeitos da monocultura extensiva, com perda de biodiversidade e aumento da dependência econômica; enquanto Cansanção preserva práticas tradicionais, mantém o uso exclusivo de sementes crioulas e sustenta uma rede de saberes ancestrais que reforçam sua identidade e resiliência. Mais do que um estudo técnico, este trabalho evidencia que as sementes crioulas não constituem apenas um patrimônio genético, mas também simbolizam autonomia, cultura e soberania alimentar. Ao propor soluções como sistemas agroflorestais, manejo agroecológico e bancos comunitários de sementes, o estudo apresenta caminhos concretos para um modelo de desenvolvimento rural mais justo e sustentável no semiárido. Além disso, convida o leitor a refletir sobre os desafios da agricultura moderna e sobre a importância de valorizar a sabedoria camponesa como estratégia de preservação ambiental e fortalecimento da agricultura familiar.