Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas - DCHT20
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Navegando Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas - DCHT20 por Orientador "Teixeira, Heurisgleides Sousa"
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- ItemDo centro à margem: a concretude do sertão na poesia de Paulo Esdras(Universidade do Estado da Bahia, 2025-08-08) Carneiro, Bianca Naely Pereira; Teixeira, Heurisgleides Sousa; Silva, Claudia Rocha da; Piloto, Luzimare AlmeidaEste artigo propõe uma leitura da obra De versos sentidos, do poeta baiano Paulo Esdras, destacando como sua produção poética reinventa a tradição concretista brasileira a partir de uma perspectiva decolonial. A pesquisa, de natureza qualitativa e bibliográfica, analisa como o autor mobiliza elementos visuais, espaciais e tipográficos para construir sentidos que vão além da linguagem verbal, afirmando um pertencimento cultural ao sertão nordestino. Em sua escrita, o sertão não é ausência, mas presença viva e digna: território de resistência, identidade e memória. Ao incorporar vozes, imagens e saberes populares em sua poesia, Esdras desloca o centro da criação literária e propõe uma estética que valoriza a oralidade, a subjetividade e os símbolos da cultura local. Dessa forma, sua obra não apenas dialoga com a poesia concreta, mas a descoloniza, transformando o espaço da página em um campo sensível de resistência poética e cultural.
- ItemO sertanejo de vidas secas, os sertões e a relação autor-criador personagem: uma análise Bakhtiniana(Universidade do Estado da Bahia, 2025-08-08) Lima, Renara Moraes; Teixeira, Heurisgleides Sousa; Silva, Claudia Rocha da; Guimarães, Maria Aparecida de SouzaEste trabalho analisa como acontece a relação autor-personagem em Vidas secas (2023), de Graciliano Ramos, considerando o modo como o autor-criador representa o sertanejo Fabiano. Pretende também relacionar essa representação com a do sertanejo realizada por Euclides da Cunha, em Os sertões (1984). Nas duas obras em questão, o sertanejo é descrito com características semelhantes, como força, religiosidade, vulnerabilidade social, apego ao lugar onde mora, situação de pobreza. Em Graciliano, o narrador onisciente seletivo múltiplo, vê além do que a personagem é capaz, estando mais ciente de todo o contexto da estória que Fabiano, personagem principal; este, sem autonomia para se comunicar, utiliza uma linguagem precária, que o narrador procura traduzir em palavras. Já Euclides da Cunha representa o outro em uma linguagem científica, naturalista e crítica, narrando o sertanejo a partir da observação da realidade imposta naquele contexto vigente, sem possuir a onisciência que lhe permite ter o conhecimento do outro ou a preocupação da retratação do discurso do outro, a voz do outro. Esta análise é viável para entender como é feita a construção estética dessas duas obras na descrição do sertanejo e sua representação socioantropológica. Para tanto, faz-se uso de uma pesquisa bibliográfica e dos estudos teóricos de Bakhtin (1997), Friedman (2002), Bosi (2003), Bueno (2001), Rego e Pinzani (2013).
- ItemRepresentação e reificação na dinâmica entre autor-criador e personagem em Caetés e Vidas secas: uma abordagem estética(Universidade do Estado da Bahia, 0026-01-07) Oliveira, José Eduardo da Silva; Teixeira, Heurisgleides Sousa; Silva, Claudia Rocha da; Piloto, Luzimare AlmeidaPartindo do pressuposto de que a personagem de ficção é um recorte definido, delimitado e coerente dentro de um romance, é imprescindível refletir a respeito da forma como se dá a relação entre ela e seu autor-criador. Se o autor-criador consegue enxergar o todo do protagonista, este, por sua vez, não tem ciência do seu “eu” por completo (Cf. Bakhtin, 1997). Cabe ao leitor, implicado nesse diálogo, compreender como se constrói o projeto literário de Graciliano Ramos, no campo da crítica e da representação do pobre e do intelectual em Caetés (2013), frente a João Valério, uma vez que compartilham a mesma condição (a de intelectual) e, também, de que maneira os caetés se fundamentam como elemento constituinte de sua condição de sujeito naquela sociedade, sem deixar de considerar os demais aspectos que compõem o mundo ficcional, o que permite, em uma perspectiva comparativa com Vidas secas (1938), problematizar distintas modalidades de representação do sujeito em contextos de subalternidade e aprofundar a reflexão acerca da alteridade na obra de Graciliano Ramos. Desta forma, a presente monografia tem como intuito analisar de que modo se comporta João Valério, como autor-criador frente à sua personagem de ficção (os índios caetés) dentro da obra Caetés (2013). Pretende-se, com isso, delimitar o grau de inferioridade, superioridade ou independência desse conjunto estético no romance, de modo a traçar o paralelo que compõe esse modelo estilístico dentro de uma metanarrativa, comumente definida como um livro construído dentro de outro. Além disso, objetiva-se estabelecer um paralelo crítico entre as instituições de poder que atravessam o universo ficcional e a condição do sujeito subalterno em Vidas secas (1938) e Caetés (2013), observando como tais instâncias regulam, silenciam ou reificam as vozes representadas, tanto no plano da criação estética quanto no da organização social. Portanto, a pesquisa pretende desvendar alguns pontos em comum entre a estética verbal e a sua relação com um contexto, uma época e uma certa forma de representação, trazendo à tona o modo como Graciliano Ramos dá vida aos seus personagens, objetivando um discurso que detém o desejo de dar voz ao outro de classe. Trata-se de uma pesquisa de cunho bibliográfico, sob uma análise qualitativa, fundamentada pelos seguintes teóricos: Bakhtin (1997); Camargo (2001); Candido et. al. (1968); Compagnon (1999) e Teixeira (2023).
- ItemRodrigo S.M.: O problema da mediação do narrador intelectual junto ao seu outro de classe em A Hora da Estrela(Universidade do Estado da Bahia, 2025-08-08) Santos, Maria Rita da Anunciação Bonfim; Luz, Reane da Silva; Teixeira, Heurisgleides Sousa; Leal , Baktalaia de Lins Andrade; Salgado, Maria Luiza TeixeiraEste trabalho busca fazer uma análise teórico-literária do livro A hora da estrela (1977), de Clarice Lispector, o qual, inserido pelo universo da metanarrativa permite que a história seja lida em dois planos: no primeiro, Rodrigo S.M. é narrador onisciente seletivo e, afirmando escrever uma narrativa, ocupa a função de autor-criador da história e de Macabéa. No segundo, ele é um personagem-autor e possui Clarice Lispector como sua autora-criadora. A análise feita parte da concepção teórica de que há um narrador que domina e cria sua personagem conforme seu desejo, mas que, para representar o outro de classe, necessita fazê-lo com ética, o que muitas vezes pode constituir uma falha narrativa, falha esta que Clarice expõe nesse romance. Ademais é objetivo deste estudo compreender como essa construção ocorre ao mesmo tempo em que sua narrativa. O campo de atuação do narrador, aspectos sociais e teóricos foram abordados tendo por base a sustentação teórico-metodológica de estudos feitos por Mikhail Bakhtin (1997), Norman Friedman (2002) e Regina Delcastagnè (2000), que realizaram estudos sobre a relação narrador-personagem dentro da atividade estética literária, bem como sua leitura social.