Efeitos de sentidos na música “na boca do povo”: entre a sedimentação, a desregulação e a resistência
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Resumo
Este Trabalho de Conclusão de Curso investiga os efeitos de sentidos produzidos na música “Na Boca do Povo” (2022), de Fernando Procópio e Tinho Brito, tomando-a como uma materialidade discursiva atravessada por relações históricas, ideológicas e sociais. A pesquisa se ancora nos pressupostos da Análise do Discurso de filiação francesa, formulada por Michel Pêcheux, articulando conceitos como discurso, condições de produção, formações discursivas, memória discursiva, posição-sujeito e resistência. O objetivo geral consiste em investigar quais efeitos de sentidos são produzidos acerca da homofobia, do machismo e das violações dos direitos humanos na música “Na Boca do Povo”. Os objetivos específicos são: analisar, a partir de SDs da canção, as formações discursivas mobilizadas; observar a importância das condições de produção no funcionamento desses sentidos; investigar as formações discursivas que determinam ditos e não-ditos; analisar os efeitos de memória inscritos no discurso; examinar confrontos discursivos entre sedimentação e desestabilização de sentidos; e compreender o movimento de resistência frente a formações discursivas dominantes. A metodologia é qualitativa, interpretativa e bibliográfica, fundamentada na análise discursiva do corpus composto pela letra da canção. Os principais conceitos mobilizados incluem formação discursiva, memória discursiva, interdiscurso, posição-sujeito, condições de produção, regularização, desregulação e resistência. Os resultados apontam que a canção reinscreve enunciados cristalizados “na boca do povo”, deslocando sentidos naturalizados em formações discursivas homofóbicas, machistas e contrárias aos direitos humanos, ao mesmo tempo em que instaura gestos de resistência que reconfiguram a significação do sujeito LGBTQIA+, das mulheres e de pessoas criminalizadas. A análise aponta que esses deslocamentos ocorrem por meio da tensão entre repetição e ruptura, acionando a memória discursiva e produzindo efeitos de contestação frente às regularizações ideológicas. A pesquisa contribui para compreender como práticas discursivas contemporâneas — especialmente no campo artístico — participam da reprodução e da desestabilização de sentidos estigmatizantes no espaço social brasileiro. Além disso, reforça a relevância da Análise do Discurso para interpretar como a língua, a ideologia e a história operam na constituição de sujeitos e na produção de sentidos que estruturam debates sobre diversidade, direitos humanos e enfrentamento às opressões.