Cartas escreviventes – Giras de Escrevivências: modos de escrever, modos de viver maternidades/maternagens negras e universidade no Sertão baiano nordestino.
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Resumo
“São os sonhos de dignidade dos nossos ancestrais que nos sustentam!”. Seduzida por este chamado de Conceição Evaristo, tomo esta pesquisa como uma convocação de vida, buscando rasurar as narrativas que tomam nossas vidas como fracasso. Nessa sintonia, trago enquanto objetivo, um assuntar escrevivente em torno dos atravessamentos e travessias das maternidades/maternagens negras e suas intersecções na vida e trajetória de estudantes, mães, da Universidade do Estado da Bahia – UNEB campi XI (Serrinha) e XIV (Conceição do Coité), do/no Território de Identidade do Sisal (TISisal) Sertão baiano e nordestino. O mesmo se desdobra no desejo de assuntar, prosear e aprontar modos de viver, modos de escrever maternidades/maternagens negras sertanejas/interioranas, bem como, suas travessias com/na universidade; e, matutar sobre as existências de mulheres mães na universidade, ao tempo em que, se forja espaços universitários mais acolhedores. Uma pesquisa que evoca as “escrevivências” como operador teórico-metodológico, acionando as epistemologias feministas com inspiração nos feminismos negros e tomando a “interseccionalidade” como princípio. No percurso de intervenção/produto, proposto pelo Mestrado Profissional em Educação e Diversidade - MPED, assume as “Giras de Escrevivências enquanto miragem metodológica do encontro”, bebendo na fonte das “Pedagogias Feministas” e tomando a “Conversa” enquanto dispositivo deste acontecer. Brotando nesta travessia, a RedeUNEB MãEscrevivendo responsável pelo aflorar das cartas. A intenção desse texto, que se revela em cartas, não é analisar a narrativa destas estudantes mães, mas trazer um tecer de escrevivências feito de dentro do jogo da vida, de modo que, possamos criar histórias no espaço do silêncio, como nos aponta Saidiya Hartman. Cartas escreviventes que se forjam em Giras de Escrevivências, escritas por mim e por elas, mas emaranhadas por muitas. Apostamos em escreviver no espaço do silêncio, ao qual nós, estudantes mães, somos relegadas, como uma possibilidade de existir. Escritas como uma maneira de reparar a nós e aquelas que foram/são portais para estarmos onde estamos. Apostamos em colocar por entre os corredores da universidade, uma experiência que é minha, que é nossa, mas que também é da tia, da vó, da bisa, da mãe, da madrinha, das mulheres, das/dos ancestrais e de um povo. Uma pesquisa que convocou memórias vivas e ancestrais, convocou agenciamentos coletivos e encontros, convocou as travessias de estudantes mães do interior. Trata-se de uma conversa de terreiro, de calçada, mas também uma conversa virtual. São retalhos de vida, “aió de memória”, no/do TISisal. Habitando a curva, em aliança com muitas vozes, vamos construindo histórias do possível; um convite para prosear, aprontar, assuntar, matutar, discordar, assustar, povoar momentos outros.