UPT para quê? Narrativa autobiográfica de um homem negro para a entrada na Universidade do Estado da Bahia - UNEB

dc.contributor.advisorSantos, Viviane Brás dos
dc.contributor.authorSilva, Jocielio Cardoso da
dc.contributor.refereeMota, Jones de Oliveira
dc.contributor.refereeMatos, Dandara Silva
dc.date.accessioned2026-02-26T15:58:23Z
dc.date.available2026-02-26T15:58:23Z
dc.date.issued2025-11-12
dc.description.abstractO presente Trabalho de Conclusão de Curso apresenta uma narrativa com perspectiva autobiográfica de um homem negro e sua caminhada para entrada na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), adepto da religião de matriz africana Candomblé, trabalhador rural e morador de um território periférico, pertencente à ramificação familiar da Comunidade Quilombola dos Paus Pretos. Por meio de relatos autobiográficos inspirado nas escrevivências, a pesquisa reconstruiu minha trajetória de vida, evidenciando os deslocamentos físicos, subjetivos e simbólicos que marcam o caminho até minha inserção no Curso de Licenciatura em Teatro, mediada pelo curso pré-vestibular Universidade para Todos (UPT). A narrativa contempla os desafios enfrentados por jovens negros na busca pelo ensino superior público, destacando processos de exclusão estrutural, como o racismo, a precarização das condições de trabalho, as limitações educacionais, a gentrificação e a imposição de papéis sociais subalternos aos corpos negros, ao mesmo tempo em que revela estratégias de resistência, pertencimento e reinvenção que emergem na convivência comunitária e familiar. A análise é construída por um narrador-personagem que compreende sua própria vida como território de aprendizagem, interligando suas vivências às produções literárias presentes em seu livro Um Conto e 40 Poemas: Mainha Vivências e Poesia (Cardoso, 2023). A escrita, nesse contexto, assume um papel político e epistêmico: torna-se ferramenta de elaboração identitária e de denúncia das violências estruturais que modulam a existência negra no Brasil. O trabalho também se ancora no conceito de escrevivências formulado por Evaristo (2004), articulando-o às reflexões culturais de Laraia (1986), às discussões sobre identidade e diferença propostas por Silva (2000), às análises de subjetividade negra de Nogueira (2021) e às contribuições de Pinto (2025) sobre território, raça e pertencimento. Dialoga-se também com as Pedagogias das Encruzilhadas (Rufino, 2019), que iluminam os caminhos formativos que emergem dos rituais, corporalidades e saberes do Candomblé, bem como, com a educação crítica de Freire (1983), que compreende a escolarização como prática libertadora, e com a literatura insurgente de Evaristo (2004), que textualiza a dor, a memória e a resistência dos povos negros. Os aportes da antropologia da performance (Turner, 1982; Schechner, 2013) e dos estudos teatrais colaboram para compreender como o corpo do autor — corpo negro, espiritualizado, político e cênico — se torna espaço de aprendizagem e enunciação de saberes que não cabem nos moldes tradicionais da academia. O estudo dedica especial atenção ao Programa Universidade para Todos (UPT) enquanto política pública de acesso, permanência e reconfiguração das possibilidades educativas para jovens historicamente subalternizados. O UPT surge na narrativa como encruzilhada e instrumento de democratização do ensino superior, abrindo brechas de esperança e projetando novos horizontes para aqueles que, como o autor, enfrentaram legados de desigualdade, silenciamento e negação de oportunidades. Assim, o TCC analisa a educação como força emancipadora capaz de reconfigurar destinos que, por séculos, foram impostos aos corpos negros, sobretudo no contexto quilombola, rural e periférico. Entre a memória ancestral, o trabalho árduo, a literatura, o teatro, o Candomblé, o UPT e a universidade, este trabalho narra uma trajetória que não se encerra no indivíduo, mas que ecoa a experiência coletiva de muitos homens e mulheres negros que, diariamente, reinventam seus lugares no mundo. Dessa forma, este estudo celebra e denuncia, simultaneamente, as nuances e contradições que compõem a vivência e a formação de um homem negro, quilombola e periférico, cuja escrevivência insurgente se apresenta como testemunho e afirmação de existência em um país marcado por desigualdades históricas. Ao inscrever-se e ao escrever-se, o autor reivindica o direito de ser, formar-se e permanecer.
dc.format.mimetypeapplication/pdf
dc.identifier.citationSILVA, Jocielio Cardoso da. UPT para quê? Narrativa autobiográfica de um homem negro para a entrada na Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Orientadora : Viviane Brás dos Santos. 2025. 31fls. Trabalho de Conclusão de Curso - Departamento de Educação, Campus VII, Universidade do Estado da Bahia, Senhor do Bonfim, 2025.
dc.identifier.urihttps://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/10897
dc.identifier2.Lattes8277339130611821
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade do Estado da Bahia
dc.publisher.programColegiado de Teatro
dc.rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.rights2Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.subject.keywordsPrograma UPT
dc.subject.keywordsTeatro Amador
dc.subject.keywordsHomem Negro
dc.subject.keywordsEducador Quilombola
dc.titleUPT para quê? Narrativa autobiográfica de um homem negro para a entrada na Universidade do Estado da Bahia - UNEB
dc.typeinfo:eu-repo/semantics/bachelorThesis
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