Arqueologia de sertão: raízes energéticas da CHESF no cotidiano pauloafonsino.
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Resumo
Este trabalho examina a modernização promovida pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF) como eixo estruturante das transformações históricas, culturais e materiais na região de Paulo Afonso. A partir de meados do século XX, a atuação da empresa introduziu tecnologias e racionalidades industriais que remodelaram profundamente a paisagem do Rio São Francisco, desencadeando processos de globalização nos quais saberes e práticas locais foram reinterpretados, incorporados ou tensionados pela nova ordem técnica em implantação. A Cachoeira de Paulo Afonso, antes celebrada como força natural e símbolo do sertão, foi integrada ao projeto nacional de desenvolvimento energético, adquirindo novos significados tanto no imaginário regional quanto no discurso estatal. Esse movimento converteu a área em um espaço híbrido, onde elementos tradicionais e práticas tecnológicas avançadas passaram a coexistir e a influenciar-se mutuamente. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em bibliografia especializada em livros e artigos produzidos por autores dedicados à temática, embora ainda constituam um conjunto relativamente reduzido, oferecem suporte teórico-metodológico sólido para a análise proposta. A opção por essa abordagem documental e interpretativa, articulada ao campo da Arqueologia Histórica, mostra-se fundamental para ampliar a compreensão sobre a região e sobre os processos de transformação que a moldaram ao longo do tempo. Sob essa perspectiva, o estudo investiga como a cultura material produzida pela CHESF (usinas, estruturas industriais, equipamentos, edificações e paisagens transformadas) permite compreender não apenas a modernização física, mas também seus impactos sociais, simbólicos e ambientais. A análise da paisagem cultural, que engloba a Usina Angiquinho, o complexo hidrelétrico e os vestígios das diferentes fases de trabalho, evidencia como esses elementos foram incorporados à memória e à identidade locais, ao mesmo tempo em que revelam conflitos, resistências e negociações diante do avanço tecnológico. No século XXI, a região consolidou-se como patrimônio natural e cultural, tornando-se foco de turismo e de debates sobre preservação. A arqueologia oferece, assim, uma leitura crítica dessas dinâmicas, iluminando os processos de mudança que moldaram o sertão nordestino e destacando o papel central da modernização energética na reconfiguração do território e das formas de vida social.