Saúde mental no cenário da atenção primária na comunidade do Lago, no município de Casa Nova–BA
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Resumo
O presente trabalho analisa as transformações e os desafios na atenção à saúde mental no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Casa Nova – BA, com foco no distrito do Lago, em um contexto marcado pelos impactos da pandemia de Covid-19. A crise sanitária acentuou o sofrimento psíquico da população e impôs desafios ao modelo tradicional de cuidado, evidenciando a urgência de práticas mais humanizadas, territorializadas e interculturais. A saúde mental é aqui compreendida sob uma perspectiva biopsicossocial, conforme a Organização Mundial da Saúde, que reconhece a influência mútua de fatores biológicos, psicológicos e sociais no bem-estar. No Brasil, a Política Nacional de Saúde Mental (Lei 10.216/2001) orienta a transição para o cuidado comunitário, mas a sua implementação efetiva ainda enfrenta dificuldades, sobretudo em áreas rurais e populações vulnerabilizadas. Neste cenário, a Estratégia Saúde da Família (ESF) é considerada estratégica na promoção do cuidado integral. O objetivo principal desta Dissertação foi investigar, mapear e analisar os principais quadros clínicos relacionados ao sofrimento mental presentes na comunidade do distrito do Lago, bem como identificar as fragilidades operacionais na APS e propor estratégias de fortalecimento da rede e qualificação dos profissionais da ESF. A metodologia adotada envolveu revisão bibliográfica para fundamentação política e análise de dados locais (registros clínicos e prontuários) para mapeamento da prática assistencial. Os resultados apontam para uma significativa tensão entre o ideal político da Reforma Psiquiátrica e a operação clínica. Embora a APS seja a porta de entrada, o estudo revelou a persistência de um modelo predominantemente biomédico (com alta frequência de prescrição de psicofármacos) e a fragilidade crítica na articulação e no matriciamento com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Tais lacunas comprometem a continuidade e a integralidade do cuidado. Espera-se, com esta pesquisa, fortalecer práticas em saúde mental mais sensíveis, inclusivas e adequadas ao território, promovendo a equidade e o respeito aos direitos humanos. Além disso, os resultados subsidiam a gestão local na formulação de políticas mais eficazes e no fomento a um modelo de atenção que reconheça a complexidade do sofrimento psíquico e a necessidade de uma rede de cuidado robusta e articulada.