Construções discursivas do ethos em escritos de Pagu
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Resumo
Pagu é uma personalidade da história muito aclamada nos dias atuais, considerada símbolo de emancipação, resistência, irreverência, polêmica e subversão. Todavia, diante do contato com seus escritos, surgiu uma inquietação em relação ao que ela diz sobre si e o que os outros dizem sobre ela. Posto isso, o objetivo desta pesquisa é analisar as imagens que Pagu constrói sobre si, através do corpus que se constitui de textos da coluna A mulher do Povo (1931) e a obra Paixão Pagu: a autobiografia precoce de Patrícia Galvão (1940). A pesquisa se situa no campo da Análise do Discurso com ênfase na noção de ethos (MAINGUENEAU, 2008, 2020). O corpus foi agrupado por temas, tendo em vista, a noção de unidades não tópicas e atrelada a ela a de temas e chaves, desenvolvidas por Maingueneau (2015). Nessa perspectiva, apresentamos a análise discursiva a partir desses temas: a) O antagonismo entre o eu revolucionário e outras mulheres; b) A singularidade inerente; c) A vontade determinante contra todos os estabelecidos; d) A dissimulação e a dor do ser; e) A descoberta do corpo e do prazer sexual; f) Os conflitos nos sentimentos maternos; e g) A resignação e a desilusão com o Partido Comunista. Ao fim deste empreendimento, considera-se que a enunciadora nos textos de A mulher do Povo se apresenta a partir do ethos dito de mulher revolucionária, mas o ethos mostrado traz a luz uma mulher ansiosa por uma causa e inexperiente, por demonstrar falta de propriedade sobre as acusações feitas. Na carta autobiográfica, as imagens construídas são de mulher consciente de suas escolhas e que apresenta diversas facetas da Pagu do passado e do presente, complexa e múltipla e não são tão delimitadas quanto as que circulam no imaginário brasileiro.