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Navegando Pós-graduação por Assunto "Carta(grafia)"
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- ItemUma educação menor em devir: carta(grafias) desejantes e resistentes do território da EJA em Irecê - Bahia(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-12) Dourado, Daniela Lopes Oliveira; Ribeiro, Silvar Ferreira; Silva, Ana Lúcia Gomes da; Santos, Dina Maria Rosário dos; Faria, Edite Maria da Silva de; Sá, Natália Silva Coimbra de; Costa, Váldina Gonçalves daEsta pesquisa afirma sua relevância social ao tomar como tema problematizador o campo interdisciplinar da Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade historicamente atravessada por processos de exclusão, invisibilização e precarização. O estudo analisa os Territórios da EJA no município de Irecê, Bahia, compreendidos como espaços de micropolíticas onde emergem dispositivos in(ter)ventivos, forjados nos saberes-fazeres experienciais de estudantes e educadores. A pista que transversaliza a investigação consiste em analisar como os territórios da EJA, atravessados pelos saberes-fazeres experienciais de seus sujeitos, engendram dispositivos que produzem linhas de fuga e formas singulares de subjetivação, constituindo-se como espaços micropolíticos de in(ter)venção pedagógica. Orientada pela abordagem pós-crítica e fundamentada nos pensamentos de Foucault, Deleuze, Guattari e Freire, a pesquisa adota a cartografia social articulada à carta(grafia) e à [auto]cartografia como horizonte metodológico, imbricada num ato epistêmico que evidencia a carta-carto-(grafia). As produções, publicadas nos Anais do I Seminário “Saberes da EJA nas Vozes dos seus Sujeitos”, foram documentos analisados como dispositivos de pesquisa, e o processo de leitura, tematização, decomposição e recomposição das narrativas possibilitou a compreensão das cartas(grafias) como campo de sentidos e criação. O processo metodológico permitiu compreender que o ato de investigar é também um exercício de implicação, em que o olhar que observa é o mesmo que se reinventa. Em cada carta, em cada travessia entre campo e universidade, a pesquisa se configurou como um ato coletivo de escuta e criação, reafirmando a EJA como território de esperança, resistência e produção de saberes. Ao investigar a EJA, o território foi compreendido não como espaço fixo ou institucional, mas como campo de saberes, afetos e subjetividades, possibilitando uma leitura atenta dos deslocamentos e processos formativos que nele se produzem. As carta(grafias) foram tomadas como dispositivo e (contra)dispositivos investigativos de escuta, diálogo e análise, potencializando a escrita epistolar como ato de formação, de resistência e de intervenção. Essas cartas se constituem em denúncia e anúncio, compõem as vozes dos estudantes da EJA e do Curso de Pedagogia, articuladas à extensão curricularizada em diálogo com as escolas municipais e estaduais de Irecê. Assim, o texto tese apresenta resultados processuais ao longo das cartas e neles desvelam as linhas motrizes que (e)videnciam sentidos de vida. A pesquisa consolida um percurso que, ao entrelaçar campo e universidade, revela as im(plica)ções da pesquisa-vida-formação como experiência viva e ética. Em cada travessia, as vozes da EJA se afirmam como saberes-fazeres experienciais que desestabilizam o instituído e inauguram modos singulares de existir, ensinar e aprender. As cartas, enquanto (contra)dispositivos de escuta e escrita, tecem relações de afeto, política e conhecimento, ampliando a compreensão da EJA como território em devir, espaço de resistência e invenção. Nesse processo, a cartografia possibilita emergir micropolíticas e macropolíticas que coexistem em tensão, desafiando a educação não apenas contemporânea, mas historicamente marcada por disputas e descontinuidades. A EJA, enquanto política pública e prática social, mantém-se como campo de resistência, luta e reinvenção, reafirmando-se como potência epistemológica e emancipatória comprometida com a vida, a justiça social, epistêmica e curricular, e consequentemente, a transformação social.