Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas - DCHT20
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Navegando Licenciatura em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas - DCHT20 por Assunto "Representação"
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- ItemRepresentação e reificação na dinâmica entre autor-criador e personagem em Caetés e Vidas secas: uma abordagem estética(Universidade do Estado da Bahia, 0026-01-07) Oliveira, José Eduardo da Silva; Teixeira, Heurisgleides Sousa; Silva, Claudia Rocha da; Piloto, Luzimare AlmeidaPartindo do pressuposto de que a personagem de ficção é um recorte definido, delimitado e coerente dentro de um romance, é imprescindível refletir a respeito da forma como se dá a relação entre ela e seu autor-criador. Se o autor-criador consegue enxergar o todo do protagonista, este, por sua vez, não tem ciência do seu “eu” por completo (Cf. Bakhtin, 1997). Cabe ao leitor, implicado nesse diálogo, compreender como se constrói o projeto literário de Graciliano Ramos, no campo da crítica e da representação do pobre e do intelectual em Caetés (2013), frente a João Valério, uma vez que compartilham a mesma condição (a de intelectual) e, também, de que maneira os caetés se fundamentam como elemento constituinte de sua condição de sujeito naquela sociedade, sem deixar de considerar os demais aspectos que compõem o mundo ficcional, o que permite, em uma perspectiva comparativa com Vidas secas (1938), problematizar distintas modalidades de representação do sujeito em contextos de subalternidade e aprofundar a reflexão acerca da alteridade na obra de Graciliano Ramos. Desta forma, a presente monografia tem como intuito analisar de que modo se comporta João Valério, como autor-criador frente à sua personagem de ficção (os índios caetés) dentro da obra Caetés (2013). Pretende-se, com isso, delimitar o grau de inferioridade, superioridade ou independência desse conjunto estético no romance, de modo a traçar o paralelo que compõe esse modelo estilístico dentro de uma metanarrativa, comumente definida como um livro construído dentro de outro. Além disso, objetiva-se estabelecer um paralelo crítico entre as instituições de poder que atravessam o universo ficcional e a condição do sujeito subalterno em Vidas secas (1938) e Caetés (2013), observando como tais instâncias regulam, silenciam ou reificam as vozes representadas, tanto no plano da criação estética quanto no da organização social. Portanto, a pesquisa pretende desvendar alguns pontos em comum entre a estética verbal e a sua relação com um contexto, uma época e uma certa forma de representação, trazendo à tona o modo como Graciliano Ramos dá vida aos seus personagens, objetivando um discurso que detém o desejo de dar voz ao outro de classe. Trata-se de uma pesquisa de cunho bibliográfico, sob uma análise qualitativa, fundamentada pelos seguintes teóricos: Bakhtin (1997); Camargo (2001); Candido et. al. (1968); Compagnon (1999) e Teixeira (2023).