Por uma pedagogia da variação linguística na educação básica:o estudo das construções relativas

dc.contributor.advisorRamos, Ricardo Tupiniquim
dc.contributor.authorSantos, Fernanda Ketele da Silva
dc.contributor.refereeMacedo, Juliete Bastos
dc.contributor.refereeSoares, Janara Laíza de Almeida
dc.date.accessioned2026-01-22T14:40:58Z
dc.date.available2026-01-22T14:40:58Z
dc.date.issued2025-12-17
dc.description.abstractResponsáveis por estabelecer relações anafóricas entre termos e orações, as construções relativas constituem um dos pontos mais sensíveis do vernáculo geral brasileiro (VGB), tanto pela complexidade estrutural quanto pela distância entre norma-padrão portuguesa e os usos vernaculares reais. Trabalhos anteriores (Bagno, 2001) demonstram que o VGB organiza suas relativas de modo próprio, recorrendo majoritariamente ao pronome que em seu uso, em situações em que a norma-padrão portuguesa exige preposição: Ele é o rapaz de que lhe falei. Assume, assim, uma estratégia cortadora – Ele é o rapaz que lhe falei –, cortando a preposição; ou uma copiadora – Ele é o rapaz que lhe falei dele –, em que se copia o pronome antecedente ao relativo. A essas duas formas vernaculares a escola raramente contempla, o que enseja o estudo de como estudantes do 3º ano do Ensino Médio mobilizam essas construções na escrita escolar, observando em que medida suas escolhas dialogam, ou se afastam do funcionamento efetivo do VGB descrito pelos estudos de variação sociolinguística. O corpus contempla 47 redações produzidas durante o Estágio Supervisionado IV, de regência, continuidade ao período de observação iniciado no Estágio Supervisionado III, onde se constatou um ensino centrado na memorização normativa e na apresentação do pronome que como praticamente único relativizador. Desde uma abordagem qualitativa e interpretativa, com descrição dos dados e categorização das estratégias de relativização, os resultados revelam predomínio de relativas introduzidas por que (78,7%) em sua forma padrão portuguesa, ausência das estratégias cortadora e copiadora, uso residual de onde e o qual e duas ocorrências equivocadas, conforme aquele padrão, de cujo. Isto demostra que, marcada pela vigilância normativa e pela insegurança diante da avaliação, a escrita escolar não reflete o repertório de fala dos alunos e que, mesmo a aplicação de uma pedagogia da variação linguística não é suficiente, sem condições estruturais e tempo pedagógico, não permite ao estudante arriscar, refletir e escrever com autonomia.
dc.description.abstract2Responsible for establishing anaphoric relationships between terms and clauses, relative clauses constitute one of the most sensitive points of the Brazilian General Vernacular (BGV), both due to their structural complexity and the distance between standard Portuguese and real vernacular uses. Previous works (Bagno, 2001) demonstrate that the BGV organizes its relative clauses in its own way, mainly resorting to pronoun que ‘that’ in its use, in situations where standard Portuguese requires a preposition: Ele é o rapaz de que lhe falei ‘He is the boy I told you about’. It thus assumes a cutting strategy – Ele é o rapaz que lhe falei ‘He is the boy that I told you’ – cutting the preposition; or a copying strategy – Ele é o rapaz que lhe falei dele ‘He is the boy that I told you about him’ – in which the pronoun preceding the relative clause is copied. Schools rarely consider these two vernacular forms, which prompts the study of how 3rd-year high school students mobilize these constructions in school writing, observing to what extent their choices dialogue with, or deviate from, the effective functioning of the BGV described by sociolinguistic variation studies. This corpus comprises 47 compositions produced during Supervised Teaching Internship IV, a continuation of the observation period initiated in Supervised Teaching Internship III, where teaching was found to be centered on normative memorization and the presentation of the pronoun que as practically the only relativizer. From a qualitative and interpretative approach, with data description and categorization of relativization strategies, the results reveal a predominance of relative clauses introduced by que (78.7%) in its standard Portuguese form, absence of the cutting and copying strategies, residual use of onde and o qual, and two erroneous occurrences, according to that standard, of cujo. This demonstrates that, marked by normative surveillance and insecurity in the face of evaluation, school writing does not reflect the students' speaking repertoire and that, even the application of a pedagogy of linguistic variation is not sufficient; without structural conditions and pedagogical time, it does not allow the student to take risks, reflect, and write autonomously.
dc.format.mimetypeapplication/pdf
dc.identifier.citationSANTOS, Fernanda Ketele da Silva. Por uma pedagogia da variação linguística na educação básica: o estudo das construções relativas. Orientador: Ricardo Tupiniquim Ramos. 2025. 50 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Língua Portuguesa e Literaturas) - Departamento de Linguística, Literatura e Artes. Universidade do Estado da Bahia. Alagoinhas, 2025.
dc.identifier.urihttps://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/10528
dc.identifier2.Latteshttp://lattes.cnpq.br/1945340838351235
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade do Estado da Bahia
dc.publisher.programColegiado de letras, lingua portuguesa e literatura
dc.rightsinfo:eu-repo/semantics/openAccess
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.rights2Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.subject.keywordsconstruções relativas
dc.subject.keywordsescrita escolar
dc.subject.keywordsvariação linguística
dc.subject.keywordsensino de Língua Portuguesa
dc.titlePor uma pedagogia da variação linguística na educação básica:o estudo das construções relativas
dc.title.alternativeFor apedagogy of linguistic variation in basic education: the study of relative constructions
dc.typeinfo:eu-repo/semantics/bachelorThesis
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