Navegando por Autor "Silva, Jairo Elcio Carvalho"
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- ItemCuidados com a saúde mental no cenário da atenção primária à saúde na comunidade do Tabuleiro, no município de Juazeiro–BA(UNEB, 2025-12-05) Silva, Jairo Elcio Carvalho; Lins, Leonardo Diego; Almeida, Gabriela Macêdo Aretakis de; Santos, Aranin Queiroz de Sousa; Pacheco, Sandra Simone Queiroz de MoraisO presente estudo analisou as transformações e desafios da atenção à saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS) no município de Juazeiro – BA, com ênfase na comunidade do Tabuleiro, área marcada por vulnerabilidade social e determinantes que agravaram o sofrimento psíquico. No contexto pós pandemia da Covid-19, as repercussões psicossociais se intensificaram, evidenciando os limites do modelo biomédico e reforçando a necessidade de estratégias interdisciplinares, humanizadas e comunitárias. A saúde mental foi compreendida a partir da perspectiva biopsicossocial, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que reconheceu a interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais na constituição do bem-estar. No Brasil, a Lei nº 10.216/2001 e a Política Nacional de Saúde Mental orientaram a substituição progressiva do modelo hospitalocêntrico pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), centrada no território, na cidadania e no cuidado em liberdade. No entanto, a efetivação dessa rede ainda enfrentou entraves significativos, sobretudo em regiões periféricas e semiáridas como Juazeiro. O objetivo principal desta dissertação foi analisar criticamente o cuidado continuado em saúde mental na APS do Tabuleiro, identificando os principais quadros de sofrimento psíquico, as fragilidades na integração entre a APS e os CAPS, e propondo diretrizes para o fortalecimento da rede sob a lógica da integralidade. A metodologia envolveu revisão bibliográfica, análise documental e exame dos registros clínicos no sistema e-SUS AB e nos prontuários da UBS. Os resultados demonstraram alta prevalência de transtornos depressivos e ansiosos, predomínio de prescrições psicofarmacológicas e fragilidade na contrarreferência e no matriciamento entre os serviços, fatores que comprometeram a continuidade e a integralidade do cuidado. A análise dos dados evidenciou uma tensão entre o ideal político da Reforma Psiquiátrica e a realidade operacional da APS, confirmando que a consolidação da RAPS dependia do fortalecimento dos vínculos intersetoriais, da formação permanente dos profissionais e da reorganização do trabalho em equipe. Concluiu-se que foi urgente requalificar a prática em saúde mental na APS, de modo a superar a medicalização e promover um cuidado centrado no sujeito, no território e na escuta. Esperou-se que os resultados contribuíssem para a formulação de políticas locais mais eficazes e estratégias de cuidado humanizadas e contextualizadas, alinhadas aos princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica.