Navegando por Autor "Pessoa Correia, Gilene"
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- ItemO lugar do escrito de professoras da Escola Normal de Caetité (1920-1940): a escrita como ferramenta de resistência social(Universidade do Estado da Bahia, 2025-12-15) Pessoa Correia, Gilene; Marques, Zélia Malheiro; Fernandes, Sidnay; Rodrigues, ZezitoEsta pesquisa tem como objetivo compreender o lugar do escrito de algumas professoras que atuaram na Escola Normal de Caetité nos anos de 1920 a 1940. Esta pesquisa se fundamenta, em fontes documentais preservadas no Arquivo Público Municipal de Caetité (APMC), como a Revista de Educação, cartas, quadros comemorativos, reportagens do jornal A Penna e registros pessoais de docentes e discentes. A partir dessas fontes, foram identificadas contribuições significativas de mulheres como Helena Lima (Livramento de Nossa Senhora, 23 de agosto de 1904 - Salvador, 10 de abril de 1998), Maria Constância Paranhos Cardoso, Bellaniza Lima, Eponina Zita dos Santos Gumes (1906 – 1984), Dulce Araujo e Raquel Pereira Carneiro (1917 – 2008), que exerceram papel central na construção da história educacional no sertão baiano. Para este estudo, no entanto, detivemos em três sujeitos da pesquisa, realizando a investigação detalhada das produções de Eponina Zita dos Santos Gumes, Helena Lima Santos e Raquel Pereira Carneiro. O trabalho ancora-se nos referenciais da História Cultural e da História da Educação, utilizando teóricos como Chartier (1991) Darnton (2011), Galvão (2010), Teixeira (2007), e ancorado a análise do discurso, utilizando Orlandi (2015), além de dialogar com perspectivas de gênero, conforme Perrot (1988). Adota-se uma abordagem qualitativa, exploratória e documental. No processo metodológico, destaca-se o uso de práticas de salvaguarda documental, catalogação, leitura crítica e análise das fontes, possibilitando a construção de narrativas que valorizam a escrita de mulheres. como expressão de sociabilidade, resistência e construção identitária. Sobre a Escola Normal de Caetité foi criada em 1895 e reintegrada em 1926 após um período de fechamento, tornou-se um espaço de formação predominantemente feminino, consolidando-se como campo de inserção das mulheres no magistério. O processo de feminização da docência no Alto Sertão da Bahia é analisado como fator de transformação social, ampliando o acesso ao conhecimento e à educação em comunidades locais. A escrita das professoras, por meio de diários, cadernos, cartas e publicações, é compreendida como ferramenta pedagógica e de resistência, especialmente no caso das mulheres negras, cuja presença, embora marginalizada nos registros oficiais, se revela nas marcas deixadas em documentos pessoais e na oralidade. A pesquisa também investiga a importância do papel social e educacional das mulheres de Caetité entre 1920 e 1940, destacando sua atuação em diferentes esferas: familiar, econômica, educacional e política. A partir de uma leitura interseccional de gênero e raça, observa-se o fortalecimento da autonomia feminina e sua crescente participação em movimentos sociais e culturais nas décadas de 1930 e 1940. Conclui-se que o estudo da trajetória da Escola Normal e das experiências das professoras contribui para a valorização da memória educacional feminina no sertão baiano, ampliando a compreensão sobre os processos históricos que envolveram a formação docente e os papéis atribuídos às mulheres na sociedade local. A pesquisa reafirma a relevância de fontes escritas como instrumentos de preservação da história e como espaços de construção subjetiva, social e política das mulheres.