Navegando por Autor "Costa, Lívia Alessandra Fialho da"
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- ItemA campanha de educação de adultos na Bahia: formação para o trabalho, cultura e política (1947 a 1963)(Universidade do Estado da Bahia, 2024-02-26) Ramos, Eliene Rodrigues; Brito, Gilmário Moreira; Sousa, Ione Celeste Jesus; Dick, Sara Martha; Silva, Paulo Santos; Costa, Lívia Alessandra Fialho daEssa tese tem o objetivo de compreender as concepções educacionais para a formação de trabalhadores e as disputas políticas na Bahia pelas classes de ensino da Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos de 1947 a 1963. A Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), foi um plano de ensino supletivo aprovado pelo Ministério da Educação e Saúde em convênio com os estados e territórios da federação, para instalar classes de ensino supletivo para todo país. A pergunta que norteia a pesquisa é: como as concepções educacionais para a formação de trabalhadores provocaram disputas políticas pelas classes de ensino da Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos na Bahia de 1947 a 1963? A análise se pauta em acontecimentos educacionais, culturais e políticos que possibilitam compreender motivações, atitudes e divergências em grupos políticos e intelectuais envolvidos no fenômeno múltiplo e complexo da cultura política no contexto de 1947 a 1963. Trata-se de pesquisa documental cujas abordagem e problematização estão articuladas com as perspectivas de autores engajados com o modo de fazer história da educação que estabelece amplo diálogo com a história cultural, a exemplo de Beisiegel (1974); Berstein (1998); Bomeny (1993); Brito (2001); Carvalho (2014); Faria Filho (2014); Fonseca (2008); Galvão (2008); Gatti Jr. (2002); Gomes (2016); Luz (2009); Magalhães (2015); Paiva (2003); Silva (2011); Veiga (2008). A CEAA foi além das disputas político partidárias e instaurou novas formas de funcionamento com intervenção do Estado no processo de escolarização formal para adolescentes e adultos e inaugurou uma expansão do ensino supletivo tutelada pelo Estado para fortalecer a si próprio a partir da mudança de valores, costumes, crenças e práticas, na tentativa de formar trabalhadores.
- Item“Abaixo de deus só a senhora”: relações de poder entre mulheres privadas de liberdade e a equipe de gestão de uma unidade prisional do estado da Bahia(2018-11-23) Conceição, Alexandra Santos; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Amorim, Rita da Cruz; Souza, Sueli Ribeiro MotaEsta pesquisa nasce do interesse em mapear dados sobre as relações de poder estabelecidas entre mulheres privadas de liberdade e a gestão de uma Unidade Prisional do Estado da Bahia. Para tanto, tomamos como objeto de análise os bilhetes enviados pelas presidiárias às trabalhadoras da gestão, responsáveis por receber as demandas, os lamentos, as queixas das mulheres que ali se encontram cumprindo pena. A pergunta que buscamos responder ao final deste texto é: como as relações de poder produzidas neste contexto produzem modos de subjetivação específicos do ambiente prisional? Dialogamos, sobretudo, com a obra de Michel Foucault (2016, 1997a, 2017b, 2004), filósofo francês que se dedicou a pesquisar como as relações de poder forjaram o sujeito moderno. Adotamos a cartografia como inspiração e prática de pesquisa considerando as peculiaridades do encontro entre o campo de pesquisa e a pesquisadora, possibilitando que a pesquisa se construísse à medida que o campo fosse explorado, constituindo simultaneamente pesquisa e pesquisadora, o que se mostrou como recurso mais adequado ao objeto de pesquisa: relações de poder e produção de subjetividades. Como resultado, podemos observar como autoras constroem uma forma de capturar suas interlocutoras por meio de algumas posições ocupadas: a desvalida, a negociadora, a filha, a injustiçada e barganhar seus atendimentos.
- ItemAprendiz do tempo: rezadeiras de Salvador e suas experiências educativas(2022-11-03) Moura, Daniele Rodrigues de; Messeder, Marcos Luciano Lopes; Mota, Clarice Santos; Costa, Lívia Alessandra Fialho daAs rezadeiras, seus saberes e cuidado estão por todo o Brasil, seja no campo ou na cidade, com seus banhos, chás e rezas. Este trabalho pretende analisar de que forma as rezadeiras foram construindo suas trajetórias de aprendizagem e como esses saberes têm sobrevivido contemporaneamente. Buscamos também conhecer o papel da reza na vida dessas mulheres, compreendendo os discursos e práticas relacionados à medicina popular e as concepções de saúde e doença que embasam esses conhecimentos. Para tanto, realizamos conversas informais, entrevistas e observamos as suas práticas de cura, inclusive participando como pacientes. Entendemos que as experiências educativas dessas mulheres se orientam por sentidos interculturais que têm o afeto e o cuidado amoroso com todos os seres como base fundamental.
- ItemBases epistemológica para uma educação indígena cristã na contemporaneidade(Universidade do Estado da Bahia, 2024-08-29) Vieira, Ana Paula Bispo; Santos, Luciano Costa dos; Giorgio, Borghi; Costa, Lívia Alessandra Fialho daNeste estudo, buscou-se analisar os fundamentos da proposta de educação popular indígena cristã a partir de uma perspectiva que integra a epistemologia intercultural indígena, fundamentada na vida onírica. A proposta crítica destaca a necessidade de uma educação que respeite e valorize as subjetividades indígenas, contestando práticas educativas tradicionais que perpetuam a opressão e a desumanização. Além disso, argumenta-se a favor da criação de uma educação popular indígena que não apenas dialogue com a educação formal, mas também sirva como um meio de libertação social e cultural para os povos indígenas citadinos, tanto cristãos quanto não cristãos, reconhecendo sua diversidade e temporalidades. Os objetivos específicos incluem, entre outros, a investigação das bases epistemológicas que sustentam esta proposta, a exploração da interculturalidade e a reconfiguração do cristianismo da libertação em apoio a essa educação. Assim, busca-se estabelecer um diálogo significativo entre diferentes visões de mundo, promovendo uma prática educativa que valorize as vozes e experiências dos indígenas, contribuindo para a construção de um novo ethos social. Os principais aportes filosóficos utilizados para fundamentar a pesquisa incluem os escritos de Enrique Dussel, Ailton Krenak e Paulo Freire. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, de natureza básica e com possibilidade de aplicação futura. É exploratório em relação aos objetivos e adota como procedimento de pesquisa a (auto)biografia, sob o eixo do ato de narrar, entrelaçada com a educação popular baseada na vida onírica. Utilizou-se um caderno pessoal de autoconhecimento como documento ordinário. As bases epistemológicas que sustentam a proposta de educação popular indígena cristã, em sua instância filosófica, são pautadas pela transmodernidade, regida pela variabilidade indígena em ação específica. Já a instância educativa, voltada à criação de um conselho para os povos originários citadinos e ao estabelecimento de laços afetivos por meio do diálogo com os povos originários da floresta, tem como base epistemológica os sonhos indígenas, considerados uma disciplina formativa. Tais epistemologias constituem um potencial desestabilizador dos conhecimentos e formas de saber hegemônicos, sem negar a pluralidade de epistemes em cada contexto. No entanto, considera-se problemática a questão do reconhecimento da diversidade dos povos originários, quando não consideradas as suas respectivas etnias e a interseccionalidade.
- ItemCom o maracá na mão, as guerreiras pataxó vão á luta: olhares das mulheres indígenas sobre violência doméstica(2017-09-28) Sobreira, Gerusa Cruz; Messeder, Marcos Luciano Lopes; Sacchi, Angela Célia; Costa, Lívia Alessandra Fialho daO presente trabalho teve como objetivo conhecer o olhar das mulheres indígenas sobre a violência doméstica. Os primeiros passos para a chegada ao objeto de pesquisa começaram no ano de 2014, quando visitei uma Aldeia indígena no Extremo Sul do Estado da Bahia para realizar diálogos sobre o tema da violência doméstica e foi nesse contexto que passei a perceber que a organização social indígena exige que se pensem as políticas públicas de forma diferenciada para esses povos. A Aldeia mencionada, no entanto, não foi o destino final desta investigação por uma decisão dos homens da comunidade, o que me levou a conhecer outra Aldeia da etnia Pataxó, no município de Porto Seguro/ BA, liderada por uma mulher, onde realizei este trabalho de pesquisa de 2015 a 2017. Para responder os questionamentos suscitados nesta investigação priorizei a utilização de técnicas da pesquisa etnográfica para a extração dos dados, tendo realizado diversas aproximações com a comunidade através de visitas aos locais de socialização das mulheres indígenas (escola, igreja e casas de farinha), acompanhando a participação delas em diversos eventos onde se debatiam questões de gênero e participando de atividades culturais da comunidade. Durante a observação participante realizei entrevistas informais com mulheres e homens que me ajudaram a entender algumas teias societárias e, também, fiz entrevistas semiestruturadas com cinco interlocutoras de diferentes idades, nas quais abordei diretamente a questão da violência doméstica. O estudo revelou uma diversidade no entendimento do que seja violência doméstica e esta é movida por diversas influências, dentre elas: a escola, a igreja e a militância. Além disso, ao longo do trabalho, o conceito de agência é mobilizado para mostrar que as mulheres indígenas conseguem driblar situações adversas dentro dos seus relacionamentos e que, também, estão buscando criar mecanismos de superação da violência doméstica dentro e fora das instituições formais.
- ItemConvivendo com a deficiência intelectual: percursos de cuidado e educação nas redes parental e social de apoio(2014-08-22) Portela, Cláudia Paranhos de Jesus; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Galvão, Nelma de Cássia Silva Sandes; Cruz, Antonio Roberto Seixas da; Jacquet, Christine; Queiroz, Delcele Mascarenhas; Messeder, Marcos Luciano LopesEsta investigação, de natureza qualitativa, debruçou-se sobre o tema dos percursos de cuidado e educação das pessoas com deficiência; mais concretamente, sobre a formação e atuação das redes de apoio parental e social no cuidado e educação da pessoa com deficiência intelectual. Para tanto, busca analisar as estratégias de cuidado elaboradas e experienciadas pelas famílias diante da necessidade de cuidar, educar e socializar filhos(as) com deficiência intelectual. A pesquisa, realizada entre os anos de 2010 e 2014, utilizou a entrevista semiestruturada com dezesseis famílias de pessoas com deficiência intelectual, adultas, da cidade do Salvador/BA. Os resultados obtidos na investigação revelaram uma realidade familiar em que as mães aparecem como as principais cuidadoras dos(as) filhos(as). Evidenciou-se também que o apoio fornecido pelas redes parental e social se revelam como fatores determinantes no processo de cuidado, educação e socialização do(a) filho(a) com deficiência intelectual, tendo em vista que, quanto maior é o apoio recebido, mais qualidade de vida se dá às pessoas com deficiência e às suas famílias. Quanto aos doadores das redes de entreajuda parental e social, as mulheres se destacam como protagonistas das redes de solidariedade. Sobre a relação existente entre a escolha das redes de entreajuda e o posicionamento das famílias na estrutura sócioprofissional, a constatação é que quanto mais elevado é o grau de escolaridade e a estrutura socioprofissional dos(as) cuidadores(as), menor é a proporção dos apoios recebidos. Por último, o que pudemos concluir é que as pessoas eleitas pelos(as) cuidadores(as) para compartilhar seus sentimentos sobre a criação, educação e socialização dos(as) filhos(as), sobretudo, daqueles com deficiência, são as pessoas que usufruem da sua confiança. Neste caso, embora presentes, os parentes consanguíneos ou afins não aparecem como os únicos sujeitos privilegiados nas relações de apoio e entreajuda. Amigos e mesmo terapeutas se revelam, com suas especificidades, como agentes importantes no processo de cuidado. O mapeamento da rede de relacionamentos e dos recursos sociais acessados pelas famílias participantes dessa investigação revelou o entrelaçamento de relações entre os familiares, demais parentes, amigos, vizinhos, profissionais, organizações privadas e serviços públicos. A pesquisa aponta a necessidade de novos estudos comparativos que estabeleçam a relação entre a influência das redes de solidariedade familiar e social no desenvolvimento da pessoa com deficiência intelectual.
- ItemCorporalidades e memória lúdica: um estudo sobre educação e expressões culturais numa comunidade negra rural da Bahia(2015-09-22) Ávila, Marcus Vinicius Araújo; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Lechner, Elisa; Souza, Elizeu ClementinoEste texto é fruto de um trabalho de pesquisa de campo com inspiração etnográfica realizada em sítios tradicionais negros e rurais, denominados em alguns estudos, de comunidades de quilombos ou quilombolas, mais precisamente nas comunidades do Tombador II e de Bernardo de Lapa, localizadas no Vale do Jiquiriçá, no município de Valença, a cento e vinte oito km da capital Salvador. Durante noventa dias de convivência entre os meses de janeiro a abril de 2015, somando quatrocentos e cinquenta e três horas de observação participante buscando dar escuta as diferentes formas de expressão do corpo humano, foram realizadas anotações sistematizadas em categorias no diário de campo, participação em rodas de conversa, bem como foram abordadas em entrevistas cinquenta pessoas, sendo 25 do gênero masculino e vinte e cinco do gênero feminino, deste total 19 entrevistas formais, sendo três em arquivo de áudio e 21 em vídeo. O recorte do objeto deste estudo se fundamentou na inter-relação entre a corporeidade e a ludicidade, sobretudo no que se refere a memória lúdica diluída no corpo dos sujeitos desta pesquisa, que se configuram como uma arrumação familiar que foge aos padrões fundamentados nos laços de consanguinidade e celebram a vida mesclando trabalho e ludicidade num cordão de samba conhecido como Grupo Cultural Arguidá, por este motivo os denominamos de povo do Arguidá. Discutimos de que forma esses sujeitos constroem suas relações corporais com o espaço, a ludicidade, a festa e o trabalho, apoiados nos alicerces da etnografia pós-colonial. Os dados levantados foram analisados num debate retórico entre a base teórica desta pesquisa diante das realidades encontradas no campo, portanto o método de análise se estruturou no diálogo entre a tradição do pesquisador no materialismo histórico dialético diante da retórica descritiva enquanto método típico de análise das etnografias clássicas. Nossas observações apontaram para a compreensão de um modo inusitado de exercer corporeidade na busca do prazer, incorporando uma ludicidade expressa na alegria de viver apoiada no contato entre os corpos, determinando uma cosmovisão ensinada, sobretudo, nas casas-de-farinha. Constatamos que a memória lúdica do povo do Arguidá, como uma memória subterrânea, emerge no convívio e na relação entre os corpos, especialmente nos momentos festivos e nas apresentações e ensaios do Grupo Cultural Arguidá.
- ItemA curva e a encruzilhada: a relação entre roça e universidade nos sertões da Bahia, na contemporaneidade(2020-09-23) Macêdo, Maria Dalva de Lima; Queiroz, Delcele Mascarenhas; Nunes Neto, Francisco Antonio; Freitas, Nacelice Barbosa; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Mattos, Wilson Roberto deA pesquisa trata da relação entre roça e universidade na contemporaneidade, nos sertões da Bahia. Objetiva responder qual o impacto da universidade na roça, no tocante aos processos de desterritorialização-reterritorialização versus políticas de “fixação do homem ao campo”. Fundamentada na História Oral e em Epistemologias do Sul, apresenta a escrita a partir do diálogo entre teoria e experiência, tendo as narrativas dos entrevistados como fonte principal, e, de forma metafórica, compara o acesso à universidade a curva e a encruzilhada do caminho. Nesta perspectiva, e considerando minha própria experiência de mulher negra da roça, me coloco como copartícipe dos sujeitos pesquisados. O trabalho apresenta a roça enquanto território híbrido, originado da fusão de negros, indígenas e brancos empobrecidos, cuja forma de estar no mundo configura uma cultura negra resultante da transferência de parte do patrimônio cultural de Àfrica para o Brasil; a roça que, em sucessivos processos de desterritorialização-reterritorialização em diferentes bases materiais, se multiterritorializa através de corpos em movimento e difere do conceito científicofilosófico de campo, escapando do sentido semantizador universal. A universidade é apresentada a partir de duas reformas: a do período militar e aquelas do período lulista. A relação entre universidade e roça é avaliada pelo duplo movimento de oferta e acesso. Neste contexto, o formato multicampi da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) representa um ganho para a roça, e, embora exija o deslocamento dos corpos da roça até a universidade, significa para estes corpos possibilidades de multiterritorializar-se. Contudo, a roça não é vista pela universidade, ao contrário, ambas se encontram em lados opostos da linha abissal que separa o conhecimento em válido (universidade) e invisível (roça). Validar o conhecimento produzido e reproduzido pela roça, contribuindo para a multiterritorialização e para a descolonização dos corpos dos seus sujeitos, constitui o desafio da relação entre roça e universidade.
- ItemDa ficção à periferia de Salvador: uma leitura dos processos educativos que reforçam a dominação e sexonegação de mulheres negras(Universidade do Estado da Bahia, 2024-08-30) Santana, Patrícia Santos; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Debus, Eliane Santana Dias; Pacheco, Ana Claudia Lemos; Messeder, Marcos Luciano LopesEsta pesquisa busca, a partir da inspiração ficcional da narrativa ―Niketche: uma história de poligamia‖ (2004), da autora moçambicana Paulina Chiziane, abordar acerca da sexonegação das mulheres negras de periferia urbana, analisando como os processos educativos formais e não-formais interferem na experiência de vida de mulheres negras, trabalhadoras e/ou moradoras do bairro de Paripe, periferia de Salvador, Bahia. A pesquisa é embasada numa literatura epistêmica negra, feminista e decolonial, partindo da problematização do que é ser mulher negra. Nessa perspectiva, mulheres negras torna-se categoria central de análise por dois motivos: o primeiro, por entender a relação direta com as dimensões interseccionais que cercam o conceito sexonegação; o segundo, por ser uma categoria pensada e criada pelas próprias mulheres negras, devido à necessidade de discutir as assimetrias de raça, classe e gênero numa dialética entre opressão e ativismo, constituindo o pensamento intelectual feminista negro. Assim, a partir das categorias dor, abandono (ausência e solidão) e amor, que estão presentes ao longo da narrativa e que fazem parte da experiência de vida de mulheres negras marcadas por dificuldades e desafios econômico-financeiros e culturais, este estudo quer entender como as dimensões e as variantes interseccionais como a Família, as Instituições de poder (Escola, Estado, Igreja e Trabalho) e o Casamento são lugares de produção da sexonegação. O conceito sexonegação, criação da própria autora, revela-se como profícuo para entender os diversos processos de negação das mulheres negras nas suas diversas formas, ocorrendo desde o nascimento e perpassando ao longo da vida: uma estrutura de aprisionamento que emerge na subjugação e no controle. Esta pesquisa tem ainda como objetivos específicos: identificar elementos que caracterizam o processo de sexonegação vivenciados por mulheres negras moradoras de uma periferia urbana em Salvador-Ba e estabelecer um paralelo das experiências das mulheres ficcionadas na narrativa ―Niketche: uma história de poligamia‖ com as das mulheres de periferia urbana de Salvador. A pesquisa, de abordagem qualitativa, de natureza descritiva-exploratória, desenhada como uma Pesquisa narrativa, é amparada, portanto, em narrativas ficcionais e factuais, apoiada na escrevivência oralizada, elaboradas na obra ―Niketche‖ e em situação de entrevistas individuais semiestruturadas com mulheres negras de camada trabalhadora de Salvador. O diálogo teórico fundamenta-se em autoras e autores do campo da educação e outros afins, como Piedade (2017), Carneiro (2009), Hooks (2021), Pacheco (2008), Gonzalez (2011) e Collins (2019)
- Item“Deixe a educação transformar a sua história!” O projeto neoliberal totalitário e as atuais reformas educacionais no Brasil(2022-04-01) Sousa, Joelson Pereira de; Santos, Luciano Costa; Vicente, José João Neves Barbosa; Almeida, Vanessa Sievers de; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Messeder, Marco Luciano LopesCom o título “Deixe a educação transformar a sua história!” O projeto neoliberal totalitário e as atuais reformas educacionais no Brasil, esta Tese, além de destacar um conjunto específico de normas oficiais, busca compreendê-las a partir das estratégias discursivas que elas promovem. É nesta perspectiva que situamos a Base Nacional Comum Curricular (Resolução CNE/CP nº 02/2017), a Reforma do Ensino Médio (Lei 13.415/2017) e o Programa Escola Sem Partido (Projeto de Lei n° 867/2015). Devido ao alinhamento, ao encadeamento por razão de série, ao caráter de homogeneidade, ao jogo de aparências e à consubstancialidade, propomos como hipótese interpretativa a correspondência entre essas reformas e um projeto de intervenção neoliberal totalitário na educação brasileira. Para isso, fizemos uso de um procedimento de pesquisa voltado para a interpretação dos discursos políticos contemporâneos, a partir dos trabalhos de Faye (2003) e Planque (2010), que apresentam a noção de fórmula discursiva como estratégia de desenvolvimento das linguagens totalitárias. Em termos estruturais, a Tese é organizada a partir de cinco eixos permanentemente dialógicos: Eixo 1 – Educação como campo de disputas: uma reflexão que busca articular as construções teóricas sobre a centralidade da educação em Gramsci (2001) e Althusser (2012); as manifestações dos poderes disciplinar (Foucault, 2012), simbólico (Bourdieu, 1989) e epistêmico (Apple,1989), e a constituição político-ideológica das lutas educacionais no Brasil, em Anísio Teixeira (2007), Paulo Freire (1987) e Demerval Saviani (2011). Eixo 2 – Totalitarismo como categoria histórica: uma abordagem a partir das contribuições de Hannah Arendt (2012), que, embora preocupada em analisar os regimes de terror do século XX, suscita uma séria advertência contra as ameaças totalitárias de nosso tempo. Eixo 3 – Injunção contemporânea entre totalitarismo e neoliberalismo: uma análise do projeto neoliberal totalitário em Laval e Dardot (2016), destacando o surgimento de um novo modo de “governamentalidade”, voltado para o controle de todos os aspectos da vida humana. Eixo 4 – O caráter totalitário da colonialidade: um panorama do pensamento decolonial através das noções de geopolítica do conhecimento e sistema-mundo em Dussel (1980), colonialidade do poder em Quijano (2005), globalitarismo em Milton Santos (2017), necropolítica em Mbembe (2018), totalitarismo de mercado em Himkelammert (2018) e totalitarismo neoliberal em Chauí (2020). Eixo 5 – As fórmulas discursivas totalitárias nas atuais reformas educacionais no Brasil: observando a atual conjuntura política – principalmente, o recorte temporal de 2013 a 2018 – e sua relação com o projeto de intervenção neoliberal na educação brasileira, a partir de Frigotto (2010 e 2019), Cássio (Org. 2019), Santos (Org. 2020), Penna (2019), entre outros. Considerando o universo teórico solicitado, fundamentamos uma interpretação desse projeto baseada na emergência e na ampla circulação das fórmulas “educação de qualidade”, “itinerário formativo” e “doutrinação ideológica” –, fórmulas que materializam ideologias de dominação, contra as quais devemos pensar práticas educativas capazes de frustrar suas pretensões totalitárias.
- ItemDinâmicas para a escolarização da criança negra em Salvador: a experiência da Escola Criativa Olodum – ECO(2015-09-15) Santos, Simone Magalhães; Queiroz, Delcele Mascarenhas; Santos, Ana Kátia Alves dos; Silva, Ana Célia da; Costa, Lívia Alessandra Fialho daO presente estudo debruça-se sobre a experiência da Escola Criativa Olodum (ECO) – uma escola não formal, localizada no Centro Histórico de Salvador-Ba – espaço no qual o fazer pedagógico está vinculado ao interesse do educando numa articulação permanente entre a educação escolarizada e as manifestações culturais de matriz africana. Nosso objetivo é analisar as dinâmicas1 que contemplam as práticas político-pedagógicas fundamentadas nas Diretrizes Curriculares para o Ensino da História e da Cultura Afro-Brasileira e Africana (Lei n. 10.639/03), as quais foram desenvolvidas na referida instituição entre os anos de 2000 e 2005, buscando identificar de que maneira essas práticas contribuíram para a construção da identidade étnico-racial dos que dela participaram, de forma a ampliar sua escolarização. O estudo suscita como investigação precípua a seguinte questão: Quais são os efeitos dessa experiência na vida dos estudantes que delas participaram? Qual a percepção desses sujeitos em relação à questão racial nos dias atuais? Ademais, em que medida essas práticas serviram de suporte e motivação para elevar a autoestima dos estudantes, possibilitando-lhes ampliar sua escolarização? Para tanto, a metodologia que norteia este trabalho consiste em uma abordagem qualitativa, a partir de referenciais teóricos, além da pesquisa de campo, por meio da técnica de entrevista com educandos da Escola Criativa Olodum e analise documental da instituição.
- ItemDiversidade religiosa, um desafio educacional: a escola municipal abrigo filhos do povo(2012-08-24) Oliveira, Adauto Leite; Menezes, Jaci Maria Ferraz de; Dorneles, Malvina do Amaral; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Santana, Elizabete ConceiçãoEsta dissertação versa sobre o tratamento educativo dado à questão da diversidade religiosa presente na escola pública, tomando como caso de estudo a escola municipal Abrigo Filhos do Povo, situada no bairro da Liberdade, em Salvador-Ba, tendo em vista as implicações que isso pode gerar no processo de ensino aprendizagem e nas relações interpessoais. A pesquisa é um estudo de caso e de cunho qualitativo, com sua sustentação metodológica em autores como Macedo (2004); Gatti (2005); Demo (2001); Mattelart (2004); Nosella & Buffa (2009); Bardin (2009); Orlandi (2009) e Lüdke e André (1986). Para a perspectiva de práticas educativas, que se estende para além do trabalho docente, foi escolhido Libâneo (1994), como principal referência, mas sem desprezar a importância de Freire (1987, 1996, 1997, 1998 e 2003); Saviani (1998), Gaddoti (1994) e outros. Bogardus (1965); Eliade (2010); Gaarder (2005); Wach (1990); Akkari (2010); Bourdieu (2010); Foucault (2010); Weber (2009); Junqueira (2010, 2011), Diniz (2010) e Durkheim (1996) compõem o principal quadro teórico deste trabalho, no que tange a discussão da diversidade e do fato religioso na sociedade. Os dados colhidos no campo, através de questionários, grupo focal, aplicação da escala de Bogardus, documentação legal e histórica da instituição, somados a observações do cotidiano, muito contribuíram para uma análise equilibrada do objeto da pesquisa. A mudança no cenário religioso brasileiro apontado pelo censo do IBGE (2000), os diversos casos de intolerância religiosa dentro do contexto escolar, noticiados nas várias mídias, assim como as dificuldades encontradas pelos profissionais da educação para lidar com a inclusão das novas normativas, a exemplo da Lei 10.639/03, fazem com que o interesse a respeito da dinâmica adotada por uma escola para lidar com essas questões se tornasse imprescindível no momento histórico atual, posto que, além da garantia do êxito acadêmico, a escola deva se preocupar em formar pessoas capazes de interagir pacificamente com os diferentes, garantindo a própria existência da humanidade.
- ItemDo cansaço da lavoura ao alívio na escola um estudo sobre quotidiano e espaços de sociabilidade de estudantes da EJA do noturno, ensino médio, no município de Irará Bahia(2009-10-15) Batista, Marize Damiana Moura Batista e; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Rabinovich, Elaine Pedreira; Messeder, Marcos Luciano LopesEsta pesquisa teve como objetivo identificar os sentidos e significados atribuídos pelos alunos da EJA do noturno acerca da temporalidade escolar, construídos na relação com as suas vivências quotidianas. Para tanto, buscamos um estudo junto aos alunos da EJA do Colégio Estadual Joaquim Inácio de Carvalho no município de Irará, Bahia. O eixo de análise da pesquisa esteve voltado para a compreensão dos entraves e das dificuldades enfrentadas por esses estudantes trabalhadores no seu cotidiano, das idéias que elaboram acerca da vida e do trabalho na roça e na cidade e dos motivos que os levam a construir um discurso que coloca o trabalho na roça como algo a ser eliminado. Na continuidade, investigou-se como os alunos experimentam e significam os diferentes tempos de vida: tempo da escola, tempo do trabalho, tempo do descanso, a fim de construir uma interpretação acerca do modo como percebem a escola e que sentidos atribuem ao estudo nas classes de EJA do noturno. Compreender os modos de apropriação do espaço/tempo vivido na comunidade (Mangabeira) e as interações e sociabilidades construídas nos interstícios da vida escolar foi uma idéia que permeou esse estudo. Das perspectivas de reinvenção do espaço escolar pelos alunos, a partir da identificação dos significados construídos sobre o mesmo, percebeu-se possibilidades para se pensar em outras lógicas de aprendizagens na escola e fora dela. Nos relatos dos alunos era recorrente a idéia de ser a escola o lugar do encontro, da interação e da realização de um aprendizado que vai além dos conteúdos ensinados. A noção de tempo estava implicada às vivências dos sujeitos, os quais nas suas falas traziam um conhecimento construído nas diferentes situações experimentadas no cotidiano e que somadas à condição de estudo na EJA poderia configurar em um aprendizado para a vida. Utilizou-se uma metodologia qualitativa, privilegiando-se um estudo do tipo etnográfico. As observações participantes foram realizadas na sede da escola entre os meses de agosto a novembro de 2008 e abril a agosto de 2009. Um conjunto de entrevistas (dezesseis ao todo), foi realizada com oito estudantes da EJA do noturno de uma faixa etária entre 20 a 23 anos.
- ItemEducação e missão civilizatória: o caso do Instituto Ponte Nova na Chapada Diamantina(2008-05) Moraes, Márcia Maria Gonçalves de Oliveira; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Jacquet, Christine; Gauthier, Leliana de Sousa; Menezes, Jaci Maria Ferraz deA fundação do Instituto Ponte Nova, em 1906, pelo casal de missionários presbiterianos Willian Waddell e sua esposa, a missionária Laura A. Chamberlain Waddell, nasceu da necessidade que a Missão Brasil Central tinha de implantar uma base ou Estação Missionária no interior do Estado da Bahia, especificamente na Chapada Diamantina. Na frente dessa Missão estava a idéia de lançar uma alternativa de fé e civilização, seguindo um modelo americano. Este estudo objetiva analisar como as práticas educativas instituídas num Instituto de renomado prestígio, intitulado Ponte Nova (IPN), contribuíram para o processo civilizador iniciado pelos presbiterianos na Chapada Diamantina. Nesse sentido, esta pesquisa busca informações na própria história de constituição do IPN, dando especial atenção à proposta pedagógica ali implantada e pelo quadro docente contratado – elementos fundamentais do processo educativo que ali se desenhou a partir das informações contidas no Estatuto do Instituto, da Associação de ex-alunos, Regimentos, Prospectos, Relatórios, correspondências, entre outros, para identificar as práticas educativas e os rituais escolares vivenciados no IPN. Depoimentos de ex-alunos e ex-professores ocupou um lugar privilegiado para esclarecer o modelo de interações (acordos, negociações, conflitos) estabelecido entre educadores missionários, alunos e os pais entre 1940 e 1970. Compreender como se deu a expansão de um provável código de conduta/ética protestante no contexto escolar e social.
- ItemEducação, memória e pluralidade cultural(2017-11) Messeder, Marcos Luciano Lopes; Costa, Lívia Alessandra Fialho daEsta coletânea reúne pesquisas, finalizadas ou em andamento, desenvolvidas no campo da Educação e tendo como lócus de investigação o território baiano. Os pesquisadores envolvidos são doutores, mestres, doutorandos ou mestrandos que fazem parte do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia. Busca-se aqui tratar a pluralidade cultural a partir de diferentes contextos empíricos em uma perspectiva de Educação que a compreende através das singularidades sócio históricas de formas de organização e concepção de mundo. Ao investigarem esses temas, os pesquisadores, afirmam a diversidade como tema sensível, que para ser ensinado, precisa ser vivido, experenciado ou escutado como processo histórico de formação da sociedade brasileira.
- ItemEntre fios narrativos, retalhos e costuras coletivas: documentação narrativa de experiências pedagógicas de professoras gestoras nos enredamentos da diversidade na escola(Universidade do Estado da Bahia, 2024-02-27) Nascimento, Leandro Gileno Militão; Rios, Jane Adriana Vasconcelos Pacheco; Sampaio, Carmem Diolinda da Silva Sanches; Suárez, Daniel Hugo; Silva, Fabricio Oliveira da; Sitja, Liege Maria Queiroz; Costa, Lívia Alessandra Fialho daEsta tese é fruto de um trabalho coletivo que foi se constituindo uma pesquisaformação , fundamentada em princípios teóricos e metodológicos da pesquisa qualitativa. Objetiva compreender as experiências pedagógicas das professoras gestoras construídas na relação com a diversidade que atravessa o cotidiano escolar. Elas foram provocadas através da formação entre pares, tendo a Documentação Narrativa de Experiências Pedagógica- DNEP (Suárez, 2007, 2022) como dispositivo de pesquisa-ação-formação, além de ser interpretativa, narrativa, colaborativa e produtora de outras políticas de conhecimento para a docência. A pesquisa foi desenvolvida na Rede Municipal de Ensino de Salvador-BA na Gerência Regional de Educação do Cabula, tendo como colaboradoras doze professoras gestoras e eu único professor gestor do grupo. As professoras gestoras tornaram público o que fazem na escola, apresentaram experiências pedagógicas em contexto de diversidade, através das narrativas em uma auto/con/coformação pautada na horizontalidade e coletividade. Apresentaram relatos de experiências, mostrando o quanto elas fazem para garantir que a política das diferenças na escola possa ser discutida, trabalhada e questionada. Foram construídos treze relatos de experiências, sendo dois selecionados para realização de uma interpretação por meio da construção de tematizações pedagógicas em torno das histórias. (Dávila e Argani, 2020). Para isso utilizarei a “carta conversa” como uma criação ético-metodológica desta pesquisa para continuar a conversa com as professoras gestoras que será feito um diálogo com as colaboradoras que trouxeram narrativas de (re)existências e como essa diversidade atravessa a gestão escolar. A auto/con/coformação provocou autoria pedagógica e contribuiu para a construção de experiências pedagógicas na escola. Essas experiências desvelaram que as diversidades humanas e suas singularidades provocam um deslocamento entre saberes e não saberes e que ousam em buscar formas, modos de insurgir com ações que fogem do instituído. Elas utilizam o seu saberfazer para produzir outros conhecimentos que demarcam os fazeres instituintes construídos por ações coletivas e comunitárias.
- ItemEntre fronteiras: diferenças culturais e práticas educativas em narrativas de professores/as do ensino fundamental (anos finais)(2018-06-14) Santos, Maria Helena da Silva Reis; Rios, Jane Adriana Vasconcelos Pacheco; Fontoura, Helena Amaral da; Costa, Lívia Alessandra Fialho daEsta dissertação de mestrado buscou compreender como professores/as do Ensino Fundamental (anos finais), da rede municipal de Lauro de Freitas, na Bahia, significam as diferenças culturais no contexto de suas práticas educativas. O estudo pautou-se nos princípios epistemológicos da pesquisa qualitativa, ancorado nos pressupostos da abordagem (auto)biográfica, com ênfase nas narrativas docentes. Foram utilizados como dispositivos de colheita de informações: entrevista narrativa, diários das práticas educativas e ateliê biográfico, atividade inspirada em DeloryMomberger (2008), analisados a partir das contribuições fenomenológicas interpretativas de Schütze (2010), sobre a análise das narrativas, articulado com os Estudos Culturais. O estudo das narrativas docentes apontou que a experiência com as diferenças culturais no interior da escola se articula em um movimento de mudanças sociais e culturais nos quais os/as professores/as estão inseridos/as, fazendo parte de uma teia de significados trançada por embates e conflitos, afirmação e negação, negociações entre as diferenças, os diferentes. Esses sentidos docentes atribuídos às práticas educativas no trabalho com as diferenças culturais, quando observados sob o campo dos Estudos Culturais e sob a abordagem intercultural – articulação teórica desta pesquisa –, desvelam limitações e potencialidades nas quais as práticas docentes se isentam do confronto e do conflito, primando pelo caráter monocultural, por meio da homogeneização, da negação ou da conformação das diferenças. Além disso, buscam promover espaços em que as diferenças sejam acionadas, confrontadas e problematizadas, criando brechas nas quais ocorram possibilidades de deslocamento de sentidos e representações, reconhecendo a diversidade dos sujeitos nas múltiplas formas de ser e estar na escola. Esta investigação se configura uma efetiva contribuição à formação de professores da Educação Básica, na medida em que ela possibilita pensar o lugar da docência e compreender o papel da prática educativa, além de refletir de que forma está sendo realizada essa tarefa, em particular, os sentidos a ela atribuídos por docentes da rede pública, no âmbito das diferenças culturais, no exercício da sua profissão em sala de aula.
- ItemEscolarização, festejos e religiosidade na constituição de um quilombo contemporâneo no oeste da Bahia(2010-08-26) Santana, Edson Carvalho de Souza; Messeder, Marcos Luciano Lopes; Macedo, José Jaime Freitas; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Silva, Valdélio SantosEste trabalho apresenta os resultados da pesquisa desenvolvida no povoado do Mucambo localizado no Município de Barreiras, extremo oeste da Bahia. Como objetivo procurou compreender que tessitura dá sustentação identitária étnico-racial à comunidade do Mucambo de Baixo. Para a realização da pesquisa fiz opção pela abordagem metodológica do estudo de caso qualitativo de cunho etnográfico. Como instrumentos metodológicos, fiz uso das técnicas de entrevista aberta e semiestruturada individual e coletiva, grupo focal, conversas informais, observação participante com registro em caderno de campo, questionário fechado para levantamento de dados quantitativos. O estudo sinalizou que a comunidade do Mucambo de Baixo vem constituindo a sua territorialidade, desde meados do século XIX, a partir de um possível acoitamento de ex-escravizados(as) e escravizados(as) oriundos(as) das lavras de diamantes da Chapada Diamantina. Apontou, também, a existência da prática da discriminação e do preconceito raciais no povoado e na escola. Revelou, ainda, que a comunidade tem uma maneira particular de cultivar e ressignificar os seus valores e expressões étnico-raciais e culturais.
- ItemO espelho tem duas faces: quem é o “outro”? as percepções identitárias de ex-detentos que encontraram como caminho de reinserção social a conversão evangélica(2007) Silva, Patrícia Rosa da; Menezes, Jaci Maria Ferraz de; Garcia, Pedro Benjamin de Carvalho e Silva; Costa, Lívia Alessandra Fialho daTrata-se de um estudo sobre as percepções identitárias que emergiram ao longo das trajetórias de ex-internos de instituições totais (especificamente os que passaram por instituições de aplicação de medidas sócio-educativas de privação de liberdade, na adolescência; e por penitenciárias, na idade adulta) que encontraram como um possível caminho de reinserção social a conversão evangélica. Para efeito deste estudo, trabalhamos com os egressos do Sistema Penal baiano, mais especificamente, da Penitenciária Lemos de Brito, localizada no município de Salvador – BA e com missionárias que atuam no presídio. Utilizamos como pano de fundo para as análises dados macros que ilustrem as percepções da sociedade e o encaminhamento de soluções tentadas ao longo da História, considerando que as formas como esses sujeitos são visualizados interferem diretamente em sua trajetória e na composição de sua identidade. O que nos interessa, portanto, nesse estudo, não é um mergulho nos pressupostos religiosos, mas as implicações dessa adesão no diálogo com as percepções dos sujeitos em relação a sua própria identidade. A dimensão da conversão, enquanto elemento teórico, que trabalhamos trata exclusivamente das potencialidades e possibilidades de auxílio no processo de reinserção social e de redefinição da auto-imagem desses sujeitos. Entre as principais categorias teóricas utilizadas estão identidade, institucionalização, fronteira, reinserção social e conversão. A metodologia baseada na linha da história de vida parte do pressuposto de que a visualização das narrativas individuais como elementos que dizem de uma coletividade e se articulam, apesar de suas singularidades, na compreensão das interlocuções entre as esferas micro e macro pode nos auxiliar na compreensão das estratégias de reinserção social e de retomada da alteridade no campo reeducacional. A partir do estudo, considerando-se a abrangência ao grupo estudado, podemos afirmar que: 1 - A falta de perspectiva social, balizada pela descrença nos mecanismos de ascensão social por meio do estado; a assimilação de uma auto-imagem estigmatizada; a marginalização social que, por vezes, antecede a prática de delitos; a baixa expectativa dos grupos próximos em relação à trajetória dos sujeitos; as práticas de exclusão presentes em instituições pseudo-receptivas como a escola; a necessidade de pertença e de aceitação a um determinado grupo; e a descrença dos educadores que atuam nas instituições sócio-educativas na ressocialização dos adolescentes atendidos; a desestruturação dos mecanismos punitivos; além da crise de valores concorrem para a entrada e permanência dos adolescentes na criminalidade. 2 - A experiência de institucionalização pode ser mais preponderante para a manutenção do círculo de delinqüência do que a situação sócio-econômica dos indivíduos. 3 - A comunidade religiosa evangélica resgata uma dimensão de alteridade radical na qual a trajetória individual implica menos sobre a visualização e o julgamento do outro do que a sua disposição em modificá-la. 4 - A idéia de arrependimento e de redenção, mas, sobretudo, a possibilidade de igualdade, “somos todos filhos de Deus” parece funcionar como um resgate do auto-valor, a partir do valor de cada indivíduo perante Deus. 4 - A substituição da identidade e do papel social de estigmatizado para a de membro da comunidade, irmão, também, traz implicações positivas para o processo de retomada do indivíduo já que na reeducação, bem como na educação, o respeito é um pilar central para a prática de qualquer processo significativo.
- ItemEstratégias e táticas de permanência no ensino superior: narrativas sobre experiências de estudantes negros cotistas na Universidade Estadual de Santa Cruz (2012- 2017).(2020-11-30) Santos, Maria Rita; Queiroz, Delcele Mascarenhas; Santos, Dayane Brito Reis; Oliveira, Rachel de; Costa, Lívia Alessandra Fialho da; Vieira Filho, Raphael RodriguesEsta tese objetivou conhecer as narrativas de experiências sobre permanência de estudantes negros cotistas concluintes em 2017 dos cursos de graduação de Alto e Médio-alto prestígio, da UESC, considerando as estratégias institucionais desenvolvidas nesta universidade e pelo Programa Mais Futuro do Estado da Bahia entre 2012 a 2017. Apresento como objetivos específicos: discutir a estadualização da Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (FESPI) e criação da UESC relacionando com as reivindicações de permanência dos estudantes na década de 1980; debater os principais conceitos que envolvem as Políticas de Ações Afirmativas nas Instituições de Ensino Superior, destacando as propostas de Movimentos Negros nos contextos nacional e regional; analisar as estratégias institucionais do Programa de Permanência da UESC e do Programa Mais Futuro do Estado da Bahia de 2012 a 2017; e, por último, analisar as narrativas sobre permanência de estudantes negros cotistas concluintes em 2017 dos cursos de graduação de Alto e Médio-alto prestígio da UESC. A pesquisa foi orientada pelas seguintes questões: Quais narrativas sobre permanência foram elaboradas por estudantes negros cotistas concluintes em 2017 dos cursos de graduação de Alto e Médio-alto prestígio da UESC? Como essas narrativas se relacionam com as estratégias institucionais desenvolvidas nesta universidade e pelo Programa Mais Futuro do Estado da Bahia de 2012 a 2017? Nesta pesquisa dialogo com bases teóricas das “Epistemologias do Sul” e adoto a abordagem metodológica qualitativa, ancorada nos pressupostos da pesquisa narrativa com procedimentos interpretativos-compreensivos com inspiração hermenêutica, tendo como textos de campo as narrativas de experiências de quatro estudantes negros e documentos relativos à permanência institucional. No desenvolvimento das análises trabalho com dois eixos estruturantes compreendidos a partir dos mecanismos do racismo estrutural, a saber: Táticas Negras de Permanência Simbólica e Estratégias Institucionais. A partir desses eixos componho as seguintes unidades de análises: subjetividade racial, solidariedade, recursos materiais e recursos simbólicos. A pesquisa permitiu compreender que o racismo estrutura as políticas de permanência, produz ausências dos sujeitos negros e moldam estratégias institucionais distantes da perspectiva das ações afirmativas voltadas para a promoção do acesso desse grupo e redução das desigualdades raciais no ensino superior. Desse modo, os estudantes negros empreenderam resistências envolvendo investimentos educacionais, priorizando potencialidades, convivência social, criatividade, solidariedade e posturas éticas, ou seja, um conjunto de elementos que balizam a organização de Táticas Negras de Permanência Simbólica no ensino superior, um processo espontâneo construído no cotidiano do ambiente acadêmico, iniciado pela identificação dos limites das estratégias institucionais para atender variadas demandas que emergem ao longo dos cursos de graduação. Esse tipo de resistência, tem a ver com a produção de presenças negras, pois, confronta as ausências intencionais produzidas pelos mecanismos que perpetuam o racismo estrutural, também, manifestado no âmbito das instituições. Portanto, para efetivar uma política de permanência no ensino superior, se faz necessário, o Estado da Bahia reconhecer: o racismo como parte da estrutura social que se reproduz, porque, se alimenta e é alimentado pelas estruturas estatais e o Estado tem o poder para criar os meios necessários para enfrentá-lo; as dimensões raça e classe, porque, esta articulação possibilita adotar na formulação de estratégias institucionais os meios para atenuar os efeitos da desigualdade racial no ensino superior; a necessidade de reexaminar a perspectiva de “formação ampliada” e “redução das desigualdades pela educação” que aparecem nos objetivos do Programa Mais Futuro esvaziados de compromisso com a realidade dos estudantes; que o programa não tem atendido as demandas da permanência que emergem ao longo do processo de formação; a urgência de estabelecer rubrica específica para ampliar o programa, pois, até então, os recursos são oriundos do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza, indicando que esses objetivos não estão entre as prioridades.
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