Navegando por Autor "Araújo Neto, Manoel Alves de"
Agora exibindo 1 - 2 de 2
Resultados por página
Opções de Ordenação
- ItemExperiências e educação: percepções acerca da formação intelectual de mc’s negros/as do recôncavo da Bahia(2019-07-01) Araújo Neto, Manoel Alves de; Souza, Sueli Ribeiro Mota; Soares, Emanuel Luís Roque; Fornari, Liege Maria SitjaA presente pesquisa visa compreender como as experiências de pessoas pretas que desenvolvem atividades artísticas pelo canto-falado do RAP na região do Recôncavo da Bahia desvelam suas intelectualidades. Diante da diáspora contemporânea, constata-se no Recôncavo a elevação do número de pessoas pretas que vem produzindo a música RAP. Tem-se que, tencionados/as pelas condições sociais, desenvolvem certas percepções sobre o cotidiano, e como alternativa para sobreviver, adentram ao RAP para socializar suas experiências por narrativas insurgentes. Diante da inserção, desvelam um potencial de criticidade, criatividade, formação subjetiva e de sociabilidade. O RAP surge como veículo musical, e em certos contextos, torna-se um elemento educativo, introduz a partir de interpretações da práxis, linguagens gesticuladas em forma de arte e discurso, os quais são decodificação do contexto vivente, que conforme necessidades e tenções da realidade, direcionam enunciados reflexivos e de denúncia. Concomitante a isso, por base do método fenomenológico Schütz (1979), considerou-se o mundo da vida como caminho investigativo para compreensão do fenômeno. Para isto, foram entrevistados treze (13) artistas do gênero musical, situados em 04 (quatro) municípios da região. Foram analisadas as experiências dos sujeitos participantes nos seguintes aspectos: discurso e atividades socioeducativas ligadas à formação biográfica, percepção étnico-racial, relação com o RAP e interação comunitária. Como resultado, identificou-se que os/as artistas percebem e reconhecem suas heranças de matriz africana, criam formas de articulação comunitária, propiciam a aglutinação de saberes, e além disso, se relacionam com o RAP como prática contra-hegemônico e educacional como possibilidade de enfrentamento e para garantir suas sobrevivências. A intelectualidade é vista aqui como fruto sóciohistórico, sendo intrinsecamente formada pela autopercepção, inter-relação e percepção social. E como instrumento para empreender tais formas de pensar e atuar, percebeu-se que o RAP e as atividades socioeducativas são caracterizados pelos/as artistas como mecanismos necessários para atuar diante das contradições sociais, sobretudo, como porta voz da periferia na luta antirracista. Sendo assim, constatouse que tais práticas são formadas por articulações coletivas com vista a conduzir outros sujeitos e comunidades a desenvolver atitudes e posicionamentos circundados no discernimento, na criticidade, autopercepção, consciência racial, de gênero, classe, como meio de direcionar bases orgânicas e de reconhecimento intersubjetivo para [trans]formação social..
- ItemHip-hop no Recôncavo da Bahia: contribuições para uma educação decolonial(Universidade do Estado da Bahia, 2024-10-30) Araújo Neto, Manoel Alves de; Santos, Luciano Costa; Santos, José Eduardo Ferreira; Miranda, Jorge Hilton de Assis; Soares, Emanoel Luis Roque Soares; Vieira Filho, Raphael RodriguesA presente pesquisa visa compreender o Hip-Hop em face de suas contribuições formativas e pedagógicas. Este estudo se fundamenta em torno da práxis e das experiências nos entrelaces da diversidade social e racial, que circunda a ontologia das pessoas negras. O objetivo do estudo é compreender como se dá as contribuições do Hip-Hop para práxis educativa-decolonial. Esta pesquisa de doutorado dá continuidade aos estudos iniciados no mestrado (2019) do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Nessa atual oportunidade, a delimitação se constitui a partir da cultura Hip-Hop. O Hip-Hop é um movimento sociocultural (Miranda, 2014), e tem a juventude negra como público principal e organizador de suas atividades (Souza, 2011); (Hill, 2014). Por essa perspectiva, é percebido aqui como um instrumento educacional, identitário, decolonizador e de sociabilidade. A partir disso, tem-se observado, enquanto elemento de análise-didática, que a experiência da pessoa negra se entrelaça ao cotidiano e as práticas do Hip-Hop como um gerador de mobilizações de biografias, insurgentes e criações de outras narrativas, podendo ser um fio condutor para quebrar paradigmas, enfrentar o racismo (Kilomba, 2019) e propor ações educativas (Gomes, 2001; Walsh, 2013). A cidade de Cachoeira foi o lócus do estudo. Esta cidade está situada no Recôncavo da Bahia. Foram observadas e analisadas as atividades socioeducativas da Association of B-Boys and B-Girls to the World (ABW). Por essas delimitações, as análises convergiram para o estudo fenomenológico (Husserl, 2006), como meio de compreender e descrever o Hip-Hop fenômeno da pesquisa. A metodologia proposta é ordem qualitativa (Bauer; Gaskell, 2002), e conforme percepção do contexto empírico, se foi criando estratégias de interação com os sujeitos da pesquisa, bem como, o entendimento de como o fenômeno se apresenta. Enquanto recurso didático para descrição do fenômeno, foram realizadas entrevistadas de forma presencial. Elas foram feitas individualmente com duas pessoas, de ambos os gêneros, que fazem parte da ABW. Os instrumentos de coleta de dados foram: questionários semiestruturados, gravador e bloco de anotação. Como recurso de análise, buscou-se observar o conteúdo do discurso como forma de apreensão do conhecimento e elaboração dos dados. Compreendeu-se que os discursos e as práticas são habilitados por um conjunto de fatores sociais, históricos e ideológicos que passam a fornecer sentido ao âmbito individual e coletivo quando entrelaçado o Hip-Hop ao contexto da vida cotidiana. Ocupando esse lugar, constatou-se que o Hip-Hop tem sido uma forma de aglutinar saberes, aprimorar os laços comunitários e possibilitar a continuidade do enfretamento para minimizar os impactos da realidade desigual. Foi identificado que as formações socioeducativas possuem referenciais calcados por questões identitárias, as quais são reproduzidas ao longo tempo por diversas gerações como vínculo comunitário para manter pedagogicamente vivo os princípios ancestrais. Assim, diante do legado de formação e ocupação sociocultural pela ABW, se percebe que iniciativas de ação popular podem auxiliar no desenvolvimento da organização coletiva, cognitivo, epistêmico e de experiências positivas, e ao mesmo tempo, promover no âmbito de pesquisas acadêmicas outros caminhos para se pensar a educação decolonial.