Avaliação do manejo agroflorestal e dos níveis de conservação na área de uso comum da comunidade tradicional fundo de pasto varjão terra livre, Monte Santo–Bahia
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Resumo
As comunidades tradicionais de Fundo de Pasto são grupos de reprodução social típicos do Semiárido baiano que desenvolvem práticas agroecológicas a partir da gestão comunitária das áreas comuns do território. Entre essas práticas destacam-se diferentes categorias de sistemas agroflorestais, a criação de animais de pequeno porte, especialmente a caprinovinocultura, o extrativismo, o beneficiamento de frutos nativos e a agricultura, atividades que asseguram a conservação da Caatinga e a resistência desse modo de vida tradicional. No entanto, problemas como o sobrepastejo e a retirada ilegal de madeira em áreas de uso comum comprometem essa dinâmica. A pesquisa foi realizada na Comunidade Tradicional de Fundo de Pasto Varjão Terra Livre, em Monte Santo – Bahia, com abordagem quantitativa e qualitativa. Consideraram-se dimensões socioculturais e ambientais ligadas ao bem comum, envolvendo sócios e sócias da associação comunitária. A metodologia incluiu grupos focais, entrevistas coletivas semiestruturadas durante reuniões mensais e pesquisa de campo, com inventário florestal e levantamento fitossociológico da diversidade florística em 30 parcelas de quatro tipologias vegetais. Também foram realizadas análises de regeneração natural da Caatinga e caracterização química dos solos. Os resultados apontam a complexidade ecológica da Caatinga e a importância das áreas de uso comum na manutenção da vegetação nativa. Foram registradas 83 espécies distribuídas em 36 famílias botânicas, destacando a Fabaceae, com diversidade florística (H’ = 3,23) considerada alta diversidade e equabilidade intermediária (J’ = 0,70), indicando boa distribuição das espécies, com predominância das espécies Poincianera pyramidalis (Tull.) L. P. Queiroz (Pau-de-Rato), Syagrus coronata Martius Beccari (Licuri) e Croton conduplicatus Kunth (Quebra-Facão). A regeneração natural apresentou média de 1.226 indivíduos por hectare, com destaque para a família Fabaceae e a espécie Colicodendron yco Mart. (Incó) como centrais nesse processo. Os solos apresentaram condições adequadas de pH, matéria orgânica e nutrientes. Práticas como a conservação de “fechados” de gravatá e macambira atuam como ilhas de conservação, protegendo plântulas contra predação. Apesar de indicadores positivos, a continuidade da retirada ilegal de madeira ameaça a regeneração e a integridade ecológica da Caatinga, reforçando a necessidade de ações de proteção ambiental e estratégias de manejo agroecológico que articulem saberes locais às dinâmicas sociais do uso comum do território.