Submissões Recentes

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    Dilemação: o uso de material manipulável para reflexões éticas no ensino fundamental anos finais
    (Universidade do Estado da Bahia, 2026-04-14) Santos, Cleilton da Silva dos; Silva, Jacson Baldoino da; Lemos, Dayane Moreira; Silva, Josimar Santana
    Este artigo analisa a narrativa literária como instrumento de reflexão e transformação social no Ensino Fundamental (Anos Finais), a partir da obra As cores da escravidão, de Ieda de Oliveira (2013), articulando literatura e discussões sobre trabalho análogo à escravidão. O objetivo foi propor o uso do jogo pedagógico DilemAção como recurso didático voltado ao desenvolvimento do pensamento crítico, da empatia e da consciência social de estudantes do 6º e 7º ano do Ensino Fundamental. Metodologicamente, a pesquisa possui caráter bibliográfico e propositivo, fundamentando-se na pedagogia crítica de Paulo Freire (1970, 1989, 1997), Antonio Candido (1995), bell hooks (2013), Rego (2013) e Djamila Ribeiro (2019), além de dialogar com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018) e com a Lei nº 10.639/2003. Como resultado, apresentamos a elaboração do jogo DilemAção, construído a partir da narrativa literária (Oliveira, 2013) e voltado à problematização de questões sociais e históricas relacionadas à exploração do trabalho e aos direitos humanos. Concluímos que a articulação entre literatura, ludicidade e educação crítica pode contribuir para práticas pedagógicas humanizadoras e antirracistas, comprometidas com a formação ética e cidadã dos estudantes.
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    A presença da autonomia linguística na educação de jovens, adultos e idosos (EJAI)
    (Universidade do Estado da Bahia, 2026-04-16) Araújo, Natielle da Silva; Silva, Jacson Baldoino da; Lemos, Dayane Moreira; Silva, Josimar Santana
    Esta pesquisa busca compreender como a valorização da diversidade linguística dos estudantes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) contribui para a construção de uma autonomia linguística e social desses sujeitos. A pesquisa considera que a língua não é homogênea, mas marcada por diferentes formas de uso, que estão diretamente ligadas às experiências sociais dos sujeitos (Bechara, 2004; Bortoni-Ricardo, 2004, 2005, 2021, 2025; Luchesi, 2004, 2015; Bagno, 2007; Weinreich; Labov; Herzog, 2006; Cyranka, 2015, 2016; Zilles; Faraco, 2015; Larruscahim, 2022). Nesse contexto, a pesquisa discute o ensino de Língua Portuguesa na EJAI, especialmente quando esse se limita à norma padrão e desconsidera os saberes linguísticos que os estudantes já possuem, compreendendo que essa desvalorização pode gerar insegurança, silenciamento (Bortoni-Ricardo, 2005; Bagno, 2007; Lucchesi, 2015) e até o afastamento desses sujeitos do espaço escolar, uma vez que muitos não se reconhecem nas práticas desenvolvidas em sala de aula. A pesquisa, de caráter bibliográfico, evidencia que os alunos da EJAI não chegam à escola sem conhecimento, mas carregam consigo repertórios linguísticos construídos ao longo de suas trajetórias de vida. No entanto, muitas vezes, esses saberes não são legitimados, o que reforça a ideia de “certo” e “errado” e contribui para o sentimento de insegurança em relação à própria língua (Bortoni-Ricardo, 2005; Bagno, 2007; Lucchesi, 2015; Zilles; Faraco, 2015). Diante disso, a discussão aponta que a valorização das variedades linguísticas no contexto escolar, como preconiza os estudos sociolinguísticos (Bortoni-Ricardo, 2004, 2005, 2025; Luchesi, 2004, 2015; Bagno, 2007; Weinreich; Labov; Herzog, 2006; Cyranka, 2015, 2016; Zilles; Faraco, 2015; Larruscahim, 2022), pode fortalecer a confiança, a participação social e a autonomia dos estudantes. Assim, defende-se a necessidade de práticas pedagógicas mais inclusivas, que reconheçam a diversidade linguística como elemento fundamental no processo de ensino e aprendizagem, contribuindo para a formação de sujeitos mais atuantes na sociedade (Bortoni-Ricardo, 2004, 2005, 2025; Luchesi, 2015; Bagno, 2007; Cyranka, 2015, 2016; Zilles; Faraco, 2015; Larruscahim, 2022).
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    Desafios de aprendizagem e inclusão de uma aluna surda no ensino médio na cidade de São Domingos – Bahia: Enfrentamentos e perspectivas
    (Universidade do Estado da Bahia, 2024) Avelino, Edvânia dos Santos; Carvalho, Maria Cezarela Oliveira; Carvalho, José Ernane de; Cardoso, Jusceli
    Este trabalho de conclusão de curso aborda os desafios de aprendizagem e inclusão enfrentados por uma aluna surda no ensino médio na cidade de São Domingos, Bahia, entre 2020 e 2023. O estudo tem como objetivo analisar o cotidiano escolar da aluna em uma escola pública, destacando os aspectos relacionados à inclusão, desenvolvimento e práticas pedagógicas ofertadas. Adotou se uma abordagem qualitativa, com coleta de dados por meio de entrevistas com professores, colegas, familiares e a própria aluna, além de observações de documentos e contextos escolares. Os resultados indicam que a aluna não estava completamente alfabetizada em Libras ou língua portuguesa, e que a presença de uma intérprete foi crucial para seu aprendizado no ensino médio. Destaca-se a necessidade de formação continuada para professores, investimentos em recursos acessíveis e maior envolvimento familiar para promover a inclusão efetiva. Este estudo reforça a importância de políticas públicas que garantam a educação bilíngue e o desenvolvimento integral dos estudantes com deficiência.
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    A oralidade como guardiã da memória na Comunidade Quilombola De Lagoa do Zeca (Canarana/Bahia)
    (Universidade do Estado da Bahia, 2026-04-14) Oliveira, Allane Mendes de; Silva, Jacson Baldoino; Lemos, Dayane Moreira; Fernandes, Betânia Rita dos Anjos; Silva, Juliane Costa
    Esta pesquisa investiga o papel das narrativas orais na preservação da memória e da identidade cultural da comunidade quilombola de Lagoa do Zeca (Canarana, Bahia), a partir do acervo documental do grupo de pesquisa Estudos Linguísticos, Literários e Históricos do Sertão (ELLiHS/CNPq), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A hipótese central é a de que a oralidade funciona como guardiã da memória coletiva da comunidade, preservando saberes ancestrais, identidades e resistências que não encontram equivalente em nenhum registro escrito. Contudo, a memória não é apenas passiva em sua função guardadora: ela é também ativa, produtiva e construtiva, atuando na recriação permanente das identidades coletivas e na produção de sentidos sobre o presente e o futuro da comunidade, como argumenta Pollak (1992) ao demonstrar que a memória seleciona, organiza e ressignifica o passado em função das demandas do presente. Nesse sentido, as narrativas orais de Lagoa do Zeca não apenas “guardam” o que foi vivido: elas o transformam, o atualizam e o mobilizam como instrumento de luta e de afirmação identitária. O corpus de análise é composto por cinco entrevistas realizadas com moradoras de Lagoa do Zeca, com idades entre 48 e 83 anos. A fundamentação teórica articula estudos da tradição oral (Hampâté Bâ, 2010; Cascudo, 2012), da memória coletiva (Pollak, 1992; Le Goff, 2003), da identidade cultural quilombola (Fernandes, 2023a, 2023b; Santos, 2023) e da sociolinguística de comunidades afro-brasileiras (Silva, 2023a; Lucchesi, 2009; Santana; Araújo; Freitag, 2018). Os resultados demonstram que as narrativas orais de Lagoa do Zeca cumprem funções simultâneas e indissociáveis: preservam a história da comunidade; transmitem saberes práticos sobre o território, a medicina popular e as práticas religiosas de matriz africana; constroem e reforçam a identidade coletiva quilombola; e operam como formas de resistência cultural e política diante dos processos históricos de apagamento. A pesquisa evidencia, ainda, que a identidade quilombola de Lagoa do Zeca é uma construção dinâmica, tecida coletivamente pela oralidade: ela não é um dado fixo e herdado de forma passiva, mas um processo contínuo de afirmação, negociação e reinvenção, no qual as narrativas dos mais velhos dialogam com as experiências dos mais jovens, produzindo um sentido de pertencimento e continuidade histórica que atravessa gerações (Pollak, 1992; Fernandes, 2023a). A pesquisa também evidencia que o acervo do ELLiHS constitui uma fonte oral de inestimável valor para a sócio-história das comunidades afro-brasileiras – como propõe Silva (2023a) –, dado que as entrevistas capturam, além de dados variacionistas, narrativas fundadoras, causos, memórias afetivas e marcas linguísticas de origem africana que não estariam acessíveis por nenhum outro meio de documentação.
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    Do flagelo social ao fracasso escolar: o fenômeno da aporofobia no campus Eunápolis do IFBA
    (Universidade do Estrado da Bahia, 2026-02-26) Santos, Aldineto Miranda; Santos, Luciano Costa; Marcondes, Ofélia Maria; Silva, Romero Junior Venâncio; Anjos, José Edemilson Pereira dos; Hetkowski, Tânia Maria
    RESUMO Esta tese tem por objetivo compreender a contribuição da aporofobia na produção do fracasso escolar na sociedade brasileira. A aporofobia, conceito cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina, se caracteriza por ser o ódio/rechaço/preconceito em relação ao pobre. Pobre, nesse contexto, é aquele/a considerado/a incapaz de contribuir, descartado por sua condição de classe, de gênero e/ou de raça. Nesse sentido, a aporofobia se realiza em intersecção com outras mazelas sociais, principalmente com o racismo. A aporofobia se constitui como uma afronta à democracia e é um grande empecilho a sua efetivação, na medida em que exclui, violenta e mata pessoas que estão à margem da noção capitalista de valor e de humanidade, em que o ser humano vale pelo que pode trocar/cambiar/oferecer. Dessa maneira, a aporofobia se constitui como preconceito que contribui para a manutenção da desigualdade social e educacional brasileira. Esta pesquisa se constitui como uma investigação que parte de um estudo teórico sobre a realidade brasileira, enquanto país latino-americano, buscando compreender as raízes da desigualdade social e educacional no Brasil e, posteriormente, nos encaminha para uma pesquisa de campo na qual nos preocupamos em compreender, a partir de um microcosmo de investigação – o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – IFBA – a influência da aporofobia na produção do fracasso escolar. Para tanto, possuindo como base teórica os estudos decoloniais, desenvolvemos a pesquisa de campo, na qual organizamos rodas de conversa em que os participantes falaram de suas experiências na Instituição, cujo objetivo foi identificar o que há de essencial nos relatos dos participantes, ou seja, categorias de significação que possam se relacionar com a aporofobia. A partir dos estudos teóricos e, principalmente, após os relatos dos participantes, compreendemos que a aporofobia se estrutura na sociedade influenciando a dinâmica educacional, entranhando-se no processo de ensino-aprendizagem e nas relações entre instituição, discentes e docentes, contribuindo para a manutenção da desigualdade e para a produção do fracasso escolar